Um ex-colaborador de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, relatou à Polícia Federal (PF) que o lobista costumava viajar de carro de São Paulo a Brasília todas as sextas-feiras transportando grandes quantias em dinheiro vivo. A declaração integra o pedido de prisão preventiva apresentado pelos investigadores no âmbito da Operação Cambota, desdobramento da Operação Sem Desconto, que apura descontos irregulares em benefícios de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Com identidade preservada por temer represálias, a testemunha afirmou ter recebido ameaças de morte de Antunes. Segundo o depoimento, logo após a primeira fase da investigação, deflagrada em abril, o lobista passou a se desfazer de sua frota de veículos de luxo por preços inferiores aos de mercado. O objetivo, de acordo com o ex-funcionário, seria levantar recursos em espécie, “fechar as torneiras” e reduzir despesas antes de uma possível fuga para os Estados Unidos.
A PF suspeita que Antunes tenha sido alertado sobre o avanço das investigações. Os policiais sustentam que esse vazamento explicaria a rápida dilapidação de patrimônio e a intenção do investigado de deixar o país. O ex-colaborador acrescentou que o lobista pretendia manter o filho, Romeu, à frente de um call center instalado em um edifício de cinco andares pertencente à família, dedicado à oferta de empréstimos consignados que prejudicariam segurados do INSS.
Comissão milionária
Ex-superintendente de marketing de uma grande operadora de planos de saúde, Antunes atua como lobista em Brasília e ganhou o apelido de Careca do INSS pela influência que exerce dentro do órgão previdenciário. Documentos obtidos pela PF mostram um contrato entre sua consultoria, a Prospect, e o Centro Brasileiro de Apoio Previdenciário (Cebap). Pelo acordo, o lobista recebia 27,5% de comissão sobre cada valor descontado dos aposentados representados pela entidade.
Dados analisados pela investigação indicam que, dez meses após a assinatura do contrato, o faturamento mensal do Cebap com os débitos automáticos saltou de R$ 574 mil para R$ 9,9 milhões. A PF sustenta que parte desse montante retornava a servidores do INSS em forma de propina para garantir a manutenção dos convênios suspeitos.
Entre os beneficiários apontados estão o ex-diretor de Benefícios André Fidelis, o ex-diretor de Integridade Alexandre Guimarães e o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Oliveira Filho. Todos teriam recebido pagamentos para facilitar ou autorizar os acordos com as entidades envolvidas no esquema.
Imagem: Internet
Risco de fuga e ocultação de bens
Ao justificar o pedido de prisão preventiva, a PF afirmou que Antunes representa risco de fuga e de ocultação de patrimônio, já que teria iniciado a venda rápida de bens de alto valor, incluindo automóveis de luxo. As viagens frequentes com dinheiro vivo também foram apontadas como indícios de tentativa de blindar recursos obtidos ilicitamente.
O lobista foi detido por agentes federais nesta terça-feira (16/5) em cumprimento a mandado expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele deverá responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Da Redação do Mato Grosso Ao Vivo | Com informações de Metrópoles
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