A 1ª Vara Criminal de Cuiabá determinou que o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves reinstale a tornozeleira eletrônica em até 48 horas. O descumprimento implicará a decretação imediata de prisão preventiva. O policial é réu pelo homicídio do soldado da Polícia Militar Thiago de Souza Ruiz, ocorrido em abril de 2023, em uma conveniência situada nas proximidades da Praça 8 de Abril, região central da capital mato-grossense.
Segundo a decisão da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, proferida em 16 de dezembro, o equipamento de monitoramento está desligado desde 28 de junho de 2025, quando o investigado deixou de ser rastreado pelo sistema. A magistrada destacou que a medida é necessária para garantir a integridade do processo e resguardar a ordem pública.
O despacho foi emitido após a dissolução do Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Cuiabá. O colegiado estava reunido para julgar Gonçalves, mas foi desconstituído depois que novos documentos foram anexados aos autos na véspera da sessão, impedindo a defesa de analisá-los dentro do prazo legal. A iniciativa partiu do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que requereu o adiamento do julgamento.
Atendendo ao pedido do MP, a juíza redesignou o júri para 12 de maio de 2026, às 9h. Até lá, permanecem válidas todas as medidas cautelares anteriormente impostas. Entre elas, estão:
- Suspensão do porte e da posse de arma de fogo;
- Proibição de consumir entorpecentes em locais públicos;
- Suspensão das atividades operacionais na Polícia Civil, ficando restrito a funções administrativas;
- Recolhimento domiciliar noturno;
- Comparecimento obrigatório a todos os atos processuais;
- Comunicação prévia ao juízo sobre eventuais ausências ou mudança de endereço;
- Proibição de contato com testemunhas do caso.
No processo, o Ministério Público acusa Mário Gonçalves de ter atirado contra o soldado Ruiz durante uma discussão dentro da loja de conveniência. A vítima morreu ainda no local. Desde então, o investigador responde por homicídio qualificado e chegou a ser preso preventivamente, mas ganhou o direito de aguardar o julgamento em liberdade, condicionado ao cumprimento das medidas cautelares.
A decisão que restabelece o monitoramento eletrônico reforça, segundo a juíza, a necessidade de vigilância constante sobre o réu, “considerando a gravidade dos fatos imputados e o longo lapso de tempo até a nova data de julgamento”. Caso a tornozeleira não seja recolocada dentro do prazo estipulado, a ordem judicial determina que a polícia execute a prisão preventiva imediatamente.
Com a sessão do Tribunal do Júri reagendada para maio de 2026, a defesa ganha tempo para analisar os novos documentos juntados ao processo, enquanto o Ministério Público prepara a sustentação das acusações. Até lá, Mário Gonçalves deverá cumprir rigorosamente as restrições impostas pelo Judiciário.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Rdnews
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