A poucos meses das eleições municipais de 2024 e a dois anos do pleito geral de 2026, levantamentos acadêmicos e pesquisas de opinião sinalizam que a disputa continuará marcada pelo personalismo dos candidatos e por alianças pragmáticas, independentemente de orientações ideológicas.
Sondagens indicam cenário favorável a Lula
Monitoramento realizado pelo Observatório Político e Eleitoral (OPEL) – iniciativa que reúne o Núcleo de Estudos sobre a Democracia Brasileira (NUDEB), o Laboratório de Partidos e Política Comparada (LAPPCOM) e o Grupo de Pesquisa Democracia e Teoria – registra melhora na avaliação do governo federal. Segundo o estudo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todas as simulações de primeiro turno para 2026, ampliando a vantagem sobre nomes considerados competitivos, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Na primeira semana de outubro, a consultoria Quaest divulgou pesquisa com resultado semelhante. O diretor do instituto destacou que Lula não consegue captar toda a sua aprovação, assim como a oposição não absorve toda a rejeição ao governo
, indicando um contingente de eleitores insatisfeitos com todas as alternativas, mas que tende a escolher um dos polos na hora do voto.
Alianças improváveis marcam corrida de 2024
No pleito municipal do próximo ano, multiplicam-se exemplos de siglas historicamente adversárias apoiando um mesmo candidato. O fenômeno decorre do chamado pragmatismo político, estratégia em que dirigentes e postulantes priorizam a chance de vitória, mesmo que isso implique abandonar posicionamentos programáticos.
Esse comportamento se repete em diferentes regiões do país e reforça a avaliação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 1998, FHC afirmou que voto não se transfere
, ressaltando que, no Brasil, o eleitor valoriza a trajetória individual e nem sempre associa o candidato ao partido.
Polarização permanece, mas com fissuras
O OPEL prevê, para 2026, três campos principais: a esquerda unificada em torno de Lula; a extrema-direita ainda conduzida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, embora ameaçada por divisões internas; e os segmentos conservadores, que tendem a se repartir entre os dois líderes nacionais.
Desde 2018, a disputa tem sido enquadrada como confronto entre democracia e autoritarismo. Analistas do observatório observam que o tema continuará central nas próximas eleições, mesmo com indícios de fragmentação no bloco bolsonarista.
Personalismo ganha força na “modernidade líquida”
A autora da análise, a socióloga Olga Lustosa, utiliza o conceito de modernidade líquida do pensador Zygmunt Bauman para definir o momento político: relações frágeis, baixa fidelidade ideológica e constantes adaptações às conveniências de curto prazo. Nesse ambiente, candidatos que dispõem de marca pessoal consolidada tendem a fazer campanha “desatrelada” das máquinas partidárias, contando mais com a própria imagem do que com tempo de rádio e televisão ou com lideranças estaduais e nacionais.
O quadro delineado pelas pesquisas e pela observação de campo indica que, tanto em 2024 quanto em 2026, o êxito eleitoral dependerá menos de partidos e mais da capacidade de cada concorrente construir narrativa própria, captar recursos e formar alianças flexíveis.
Mesmo assim, os grupos políticos trabalham para ampliar bases e reduzir riscos na reta final. A avaliação é que o pragmatismo continuará norteando decisões, enquanto a polarização ideológica segue como pano de fundo dos próximos embates nas urnas.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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