O governo da Rússia confirmou ter realizado, em 21 de outubro, um teste com o míssil de cruzeiro 9M730 Burevestnik, equipamento movido a energia nuclear que, segundo Moscou, é capaz de driblar qualquer sistema de defesa atualmente em operação.
A arma, batizada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) como SSC-X-9 Skyfall, permaneceu em voo por aproximadamente 15 horas e percorreu cerca de 14 mil quilômetros antes de encerrar a missão de ensaio, informou o Ministério da Defesa russo.
Em reunião transmitida pela televisão estatal, o presidente Vladimir Putin classificou o Burevestnik como “invencível” e ressaltou que se trata de “um produto único, que ninguém mais no mundo possui”. O chefe do Kremlin lembrou que alguns especialistas dentro do próprio país consideravam improvável a concretização do projeto, mas garantiu que “os testes cruciais foram concluídos”.
Durante a mesma conversa, Putin solicitou ao chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Valery Gerasimov, um levantamento das instalações necessárias para finalizar a implantação do sistema e definições sobre a forma de classificação do novo míssil. “As forças estratégicas têm plenas condições de assegurar a segurança nacional da Federação Russa e do Estado da União”, frisou o líder russo.
O Burevestnik integra o pacote de armamentos estratégicos anunciado por Putin em 2018, que inclui também o míssil balístico intercontinental Sarmat, o drone subaquático Poseidon e o míssil hipersônico Kinzhal. A aposta do Kremlin nesses projetos visa manter capacidade de dissuasão frente aos Estados Unidos e a outras potências nucleares.
De acordo com a Federação de Cientistas Americanos (FAS, na sigla em inglês), Rússia e Estados Unidos concentram juntos cerca de 87% do arsenal nuclear existente no planeta. O levantamento mais recente aponta 5.459 ogivas sob posse russa e 5.177 sob controle norte-americano, número considerado suficiente para causar destruição em escala global diversas vezes.
Autoridades ocidentais ainda não comentaram publicamente o novo teste. Analistas internacionais observam que, por utilizar propulsão nuclear, o Burevestnik poderia manter voo prolongado e adotar rotas imprevisíveis, dificultando a interceptação por sistemas antimísseis convencionais.
Apesar dos avanços divulgados por Moscou, não há informações independentes sobre quando o míssil poderá entrar em serviço operacional ou quantas unidades a Rússia pretende produzir. Especialistas acreditam que a adoção plena da arma dependerá tanto de fatores financeiros quanto de acordos internacionais de controle de armamentos.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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