Receber a notícia de um câncer em estágio avançado, de um Alzheimer em desenvolvimento ou de qualquer outra enfermidade sem perspectiva de cura costuma abalar não apenas o corpo, mas também a mente e as relações sociais do paciente. Em entrevista ao RDNews, o psicólogo Raul Tibaldi defendeu a importância de integrar acompanhamento psicológico ao tratamento médico para amenizar os efeitos emocionais que surgem após um diagnóstico terminal.
Segundo o especialista, o primeiro impacto costuma ocorrer ainda na consulta em que a palavra “câncer” ou “Alzheimer” é pronunciada. “A medicina muitas vezes se concentra no orgânico, mas só ouvir o nome da doença já provoca uma série de reações afetivas”, relatou. Tibaldi lembra que, nesse momento, o paciente vislumbra perdas que vão além dos sintomas físicos: afastamento do trabalho ou da escola, mudanças radicais na rotina familiar e até o medo de abandono por parte do parceiro, situação recorrente em mulheres com câncer de mama.
Para o psicólogo, viver uma enfermidade terminal é uma experiência multidimensional. “O adoecimento atinge de forma simultânea o corpo, o estado emocional, o convívio social e a dimensão espiritual”, explicou. Afeta também parentes, amigos e a maneira como a pessoa se relaciona com as próprias crenças. “Nenhuma categoria profissional dá conta de tudo sozinha. Por isso, médicos e enfermeiros precisam dividir a assistência com psicólogos e outros especialistas”, reforçou.
Tibaldi destaca que o consultório psicológico oferece um espaço neutro para expressar medos e angústias sem o peso adicional de proteger familiares. Ele ressalta que, muitas vezes, a casa não é o lugar adequado para falar sobre a possibilidade de morte. “A família carrega o receio da perda. O paciente percebe esse peso e evita dividir suas inquietações”, observou.
Nesse ambiente protegido, os sentimentos podem finalmente ganhar nome. “Há quem chegue dizendo apenas que se sente mal; durante a conversa, descobre que está com raiva, tristeza ou culpa”, exemplificou. Identificar a emoção, diz ele, já produz alívio imediato e permite ao paciente enfrentar o tratamento de forma mais consciente.
Apesar do papel fundamental da terapia, o psicólogo alerta que não existe um roteiro correto para reagir a um diagnóstico terminal. Cada indivíduo cria seus próprios recursos de enfrentamento, e cabe aos profissionais acolher essa singularidade. “Compreensão, escuta qualificada e diálogo são caminhos que ajudam o paciente e sua rede de apoio a atravessar esse período com menos sofrimento”, concluiu.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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