A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou na sexta-feira (30) uma proposta de lei de anistia geral. A medida é direcionada a centenas de indivíduos detidos no país e tem como principal objetivo promover a coexistência pacífica e a reconciliação nacional. O anúncio foi feito durante um evento no Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela.
Rodríguez enfatizou que a iniciativa busca “curar as feridas” deixadas pelo confronto político, pela violência e pelo extremismo. Segundo ela, a lei visa restabelecer a justiça no país e fomentar a convivência entre os venezuelanos, abordando um período sensível da história recente da nação.
Abrangência e Inspiração Histórica
A proposta de anistia abrangerá o que foi descrito como “todo o período político, de violência política”, estendendo-se de 1999 até os dias atuais. O ano de 1999 marca a ascensão de Hugo Chávez ao poder, após sua eleição no final de 1998. Em seu discurso, Delcy Rodríguez destacou que a lei de anistia carrega “o espírito de Hugo Chávez”.
Ela ressaltou que o legado de Chávez, ao chegar ao poder, foi o de pregar igualdade, inclusão, equidade e justiça social para uma vasta maioria do país que havia sido historicamente excluída pelas elites políticas, e que esse mesmo espírito orienta a atual proposta.
Exceções à Anistia
É importante notar que a proposta de lei de anistia não contemplará indivíduos condenados por crimes graves. Entre as exclusões estão casos de homicídio, tráfico de drogas, corrupção e violações severas dos direitos humanos, delimitando o escopo da medida para crimes de natureza política.
Contexto Político Atual
Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela após o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, ocorrido em 3 de janeiro. Maduro permanece sob custódia em território norte-americano. A presidente interina mantém um canal de diálogo com o governo de Donald Trump na tentativa de estabelecer alguma forma de relacionamento bilateral, ao mesmo tempo em que condena veementemente a detenção de Maduro.
Recentemente, ao anunciar um plano de defesa nacional, Rodríguez reiterou que a Venezuela está aberta ao diálogo, mas não tolerará novas agressões, sinalizando a postura de seu governo em meio à complexa conjuntura política e diplomática.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Agência Reuters
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