Cuiabá – A Polícia Federal prendeu, na manhã desta sexta-feira (3), um policial militar aposentado suspeito de obstruir investigações sobre um esquema de venda de decisões judiciais. A detenção ocorreu em Primavera do Leste, a 231 quilômetros de Cuiabá, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Sisamnes.
O ex-PM estava na residência do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como intermediário entre empresários e integrantes do Judiciário envolvidos no suposto esquema. Os agentes também recolheram o telefone celular do lobista, principal alvo desta nova fase da operação.
Descumprimento de medidas cautelares
Segundo a PF, os mandados contra Gonçalves foram emitidos após indícios de que ele vinha descumprindo determinações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que em julho lhe concedeu prisão domiciliar. A Corte havia revogado a prisão preventiva devido ao estado de saúde do investigado, que perdeu peso de forma drástica durante oito meses na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, e na Penitenciária Federal de Brasília.
Ainda não foi informado o motivo da presença do policial aposentado na casa do lobista. O suspeito foi encaminhado de Primavera do Leste para a Superintendência da PF em Cuiabá, onde deve prestar depoimento.
Esquema de venda de decisões
As investigações apontam que Andreson Gonçalves atuava como elo entre empresários interessados em decisões favoráveis e o advogado Roberto Zampieri. De acordo com a PF, Zampieri se valia da influência na área jurídica para direcionar sentenças, enquanto o lobista cobria a etapa de aproximação com magistrados e facilitação dos pagamentos ilegais.
Deflagrada em novembro de 2024, a Operação Sisamnes já levou à prisão de advogados, empresários, assessores e integrantes do Judiciário por participação em uma organização criminosa acusada de negociar veredictos em processos milionários. Os investigadores apuram crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Após a detenção de Gonçalves no ano passado, sua defesa alegou quadro de saúde debilitado e falta de sentença definitiva para requerer a prisão domiciliar, concedida pelo STF. Desde então, o lobista estava submetido a medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e restrição de circulação.
Com a prisão do PM aposentado e a apreensão de novos materiais, a PF pretende esclarecer possíveis tentativas de interferência nas investigações e verificar se outros investigados também descumpriram determinações judiciais. Os nomes dos magistrados supostamente envolvidos não foram divulgados.
Os presos permanecem à disposição da Justiça Federal em Mato Grosso. A defesa do lobista e do ex-militar não se manifestou até o fechamento desta edição.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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