Brasília – Aliados do governo no Senado receberam o aviso de que a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) pode enfrentar obstáculos na Casa. O recado partiu do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsável pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa decisiva para a confirmação de qualquer nome ao tribunal.
Segundo parlamentares que participaram das conversas, Alcolumbre relatou que, se Messias for oficializado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a bancada de oposição já contabiliza cerca de 30 votos contrários em plenário. O número é inferior à maioria absoluta de 41 senadores necessária para barrar a nomeação, mas o alerta acendeu sinal amarelo no Palácio do Planalto.
Integrantes da direita afirmam, porém, que o cenário não representa ameaça real. Para eles, o nome de Messias teria condições de ser aprovado mesmo sob resistência pontual. A avaliação é de que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), contaria com apoio ainda maior, mas Messias não enfrentaria “grande dificuldade” para assegurar os 41 votos favoráveis exigidos.
Decisão de Lula é manter Messias
Apesar das ponderações, Lula já decidiu indicar o atual chefe da Advocacia-Geral da União. Pessoas próximas ao presidente dizem que o anúncio deve ocorrer nos próximos dias, possivelmente após nova conversa com Alcolumbre, marcada para o início da próxima semana no Palácio do Planalto.
Reservadamente, Alcolumbre repete que preferiria ver Pacheco escolhido – posição compartilhada por parte do PSD e por alguns líderes de centro. Ainda assim, garante que manterá “neutralidade” se a escolha recair sobre Messias. Na prática, isso significa não atuar para travar a indicação, mas também não mobilizar sua base em defesa do indicado.
Fim de semana em Brasília
Com a expectativa do encontro com Lula, o presidente da CCJ cancelou compromissos no Amapá e permanecerá em Brasília durante o fim de semana. A presença do senador na capital é vista como fundamental para alinhar estratégia antes do anúncio. Se confirmado, o nome de Messias será submetido à sabatina na CCJ, seguida de votação secreta no plenário.
Messias, 43 anos, comandou a AGU no início do terceiro governo Lula e fez carreira como advogado público. Caso aprovada, sua indicação preencherá a vaga aberta com a aposentadoria da ministra Rosa Weber, ocorrida em setembro.
Nos bastidores, senadores calculam que o governo precisará negociar cargos e emendas para garantir apoio sólido na votação. A oposição, por sua vez, aposta em discurso de independência do Judiciário para tentar ampliar resistências ao nome de Messias.
O Palácio do Planalto, entretanto, demonstra confiança de que as articulações políticas e o histórico de Messias na área jurídica serão suficientes para confirmar mais um aliado de Lula na Suprema Corte.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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