O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende colocar a crise venezuelana na pauta do encontro presencial que tenta agendar com o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Segundo auxiliares ouvidos pelo Palácio do Planalto, Lula planeja alertar Trump de que uma intervenção militar norte-americana em território venezuelano poderia desestabilizar toda a América do Sul e abrir espaço para o avanço de organizações ligadas ao narcotráfico.
Embora a reunião ainda não tenha data definida, o tema ganhou urgência após declarações de Trump na quarta-feira (15). Nesse dia, o republicano afirmou ter autorizado operações secretas da CIA na Venezuela e declarou estudar ataques terrestres contra cartéis que atuam no país. Para o governo de Nicolás Maduro, as declarações se somam a recentes incursões de forças norte-americanas contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas na região, ações que deixaram pelo menos 27 mortos. Caracas classifica a postura de Washington como uma tentativa de promover mudança de regime para controlar as reservas de petróleo venezuelanas.
Preocupação no Planalto
No Brasil, o cenário é acompanhado com cautela. Integrantes do governo avaliam que uma ofensiva militar aberta seria incoerente com a busca de Trump por legitimação internacional, inclusive pela ambição de concorrer ao Prêmio Nobel da Paz. Ainda assim, existe receio de que operações pontuais, mantidas em sigilo, alimentem um conflito de baixa intensidade, mantendo pressão sobre o regime chavista e estimulando manifestações da oposição venezuelana.
Fontes diplomáticas informam que Brasília não dispõe de clareza sobre os objetivos concretos da Casa Branca e desconhece se há canais formais de diálogo entre Washington e Caracas. Diante desse quadro, Lula avalia oferecer o Brasil como mediador – possibilidade que depende de adesão explícita das duas partes, condição que ainda não se materializou.
Efeitos na segurança regional
Auxiliares do presidente consideram que uma escalada bélica criaria ambiente mais propício a facções criminosas que atuam na fronteira, ampliando o fluxo de armas e drogas. Por esse motivo, Lula pretende apresentar a Trump dados sobre impactos potenciais na segurança regional e defender saídas diplomáticas para a crise política e econômica da Venezuela.
Ainda de acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, não se descarta a possibilidade de Washington manter operações de sabotagem e inteligência contra alvos militares e logísticos de Maduro, mas a avaliação predominante é que uma invasão em larga escala semelhante à ocorrida no Panamá em 1989 está fora do horizonte imediato.
Até que o encontro bilateral aconteça, a chancelaria brasileira seguirá monitorando movimentos das forças armadas norte-americanas no Caribe, bem como eventuais respostas do governo venezuelano. A ordem de Lula é manter posição pública de prudência, evitando assumir protagonismo que possa fechar portas a uma eventual mediação futura.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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