Barra do Bugres (MT) transformou-se em um ponto crítico da violência na Amazônia Legal, impulsionada pela disputa de organizações criminosas pelo controle de rotas de drogas vindas da Bolívia. Dados da 4ª edição do relatório “Cartografias da Violência na Amazônia” mostram que o município, com população entre 20 e 50 mil habitantes, ocupa hoje o segundo lugar em homicídios na sua faixa populacional, com taxa trienal de 89,0 Mortes Violentas Intencionais (MVI) por 100 mil moradores.
O levantamento aponta crescimento de 52% nos assassinatos em apenas dois anos. Em 2022 foram 21 mortes; em 2024, o número subiu para 32. A escalada ocorreu depois de o município já ter registrado em 2022 uma taxa de homicídio de 68,0 por 100 mil habitantes, uma das maiores do estado.
Quatro mortes em um dia
O episódio mais recente que ilustra a gravidade do cenário ocorreu em 2025, quando quatro pessoas foram mortas em menos de 24 horas. O caso, descrito pelo relatório como “purga concentrada”, expõe a intensidade dos confrontos em uma cidade tomada pela rivalidade entre facções.
Rota boliviana na mira do crime
A localização estratégica de Barra do Bugres, próxima a corredores usados para escoar cocaína da Bolívia, explica a guerra pelo território. Não se trata apenas da venda de entorpecentes no varejo local, mas do domínio de uma rota logística fundamental para grandes grupos criminosos.
O documento detalha que o município tornou-se alvo de duas principais facções nacionais: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A disputa ganhou contornos ainda mais violentos com a presença da Tropa do Castelar, dissidência do CV que recebe suporte do PCC. A aliança entre os dois grupos pressiona o rival e tenta assegurar a passagem da droga pelo sudoeste mato-grossense.
Chacinas e letalidade policial
A violência em Barra do Bugres manifesta-se sobretudo em chacinas e execuções. Segundo o relatório, a letalidade é alimentada tanto por ajustes de contas entre criminosos quanto por confrontos durante operações policiais. O mapeamento de 2025 classifica a cidade como território com conflito ativo entre duas ou mais facções, em contraste com localidades onde o monopólio de um único grupo reduziu temporariamente os índices de homicídio.
Para especialistas citados no estudo, enquanto a rota boliviana permanecer sob disputa, a população viverá sob o risco constante de tiroteios, represálias e operações de repressão de grande porte. A expectativa de redução da violência depende da interrupção desse corredor de tráfico ou da capacidade do Estado de enfraquecer simultaneamente as facções rivais.
O relatório “Cartografias da Violência na Amazônia” alerta ainda que o avanço do agronegócio, que levou infraestrutura e aumento populacional à região, não foi acompanhado por investimentos equivalentes em segurança pública, favorecendo a expansão do crime organizado.
Sem sinais de trégua, Barra do Bugres permanece como peça-chave no tabuleiro do narcotráfico amazônico, onde cada quilômetro de estrada vicinal representa lucro para facções e perigo para moradores.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão MT
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