O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é acusado de ter transferido R$ 25 milhões ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por meio de uma empresa de cannabis medicinal com atuação em Portugal. A informação foi levada à Polícia Federal (PF) por Edson Claro, ex-funcionário da companhia e hoje testemunha do caso.
Segundo o depoimento, os valores teriam sido enviados em datas ainda não especificadas através da World Cannabis, firma sediada em Brasília que pertence ao Careca do INSS e ao filho dele. Os pagamentos incluiriam ainda uma mesada de R$ 300 mil ao primogênito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Empresas e repasses sob suspeita
A World Cannabis mantém um escritório em São Paulo, onde Claro trabalhou. Ele relatou à PF que, após identificar as movimentações, recebeu ameaças de morte do lobista. À corporação, o ex-funcionário afirmou que a transferência de recursos era mascarada como investimentos na operação portuguesa da companhia focada em produtos à base de maconha medicinal.
O mesmo inquérito menciona Ricardo Bimbo, dirigente do PT, suspeito de participar do esquema. De acordo com documentos anexados ao processo, Bimbo teria recebido mais de R$ 8,4 milhões de uma empresa ligada ao grupo investigado. No mesmo período, efetuou o pagamento de um boleto destinado ao contador de Lulinha, gesto considerado indício da rota financeira entre os envolvidos.
Contexto da prisão do lobista
Antunes está preso desde setembro, quando a PF o apontou como intermediário no suposto pagamento de propina por associações de aposentados a dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O caso gira em torno de descontos indevidos em milhões de benefícios, que teriam movimentado cifras bilionárias.
A investigação principal apura se o lobista coordenava o repasse de parte do montante obtido com a fraude para agentes públicos e políticos. O novo front aberto com o depoimento de Claro busca detalhar se os recursos também serviram para financiar pessoas próximas à família presidencial.
Próximos passos da investigação
Com as informações fornecidas pelo ex-funcionário, a PF pretende rastrear contas bancárias associadas à World Cannabis em Portugal e no Brasil, além de verificar a origem dos valores remetidos ao exterior. Também está previsto o levantamento de contratos, notas fiscais e eventuais operações de câmbio que possam comprovar ou descartar a existência da mesada mencionada.
As defesas de Lulinha, de Careca do INSS e de Ricardo Bimbo não se manifestaram até a publicação desta reportagem.
Não há, por enquanto, prazo divulgado para a conclusão dos trabalhos da Polícia Federal.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de No Centro do Poder
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