Brasília – O coronel-aviador da reserva Ricardo Wagner Roquetti, exonerado de um cargo no governo pelo então presidente Jair Bolsonaro, enviou em 28 de dezembro um e-mail ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF), relatando que seu perfil no LinkedIn havia sido visitado pelo ex-assessor internacional da Presidência da República Filipe G. Martins.
Segundo Roquetti, a notificação de visita foi gerada pela ferramenta nativa “Quem viu seu perfil”. O militar afirmou não manter qualquer vínculo com Martins e não ter realizado interação que justificasse a consulta. “Ressalto que não posso afirmar com certeza se o acesso foi realizado diretamente pelo titular do perfil exibido ou por terceiro, porém o LinkedIn apresentou o visitante com esse nome/perfil, motivo pelo qual comunico o fato para apuração institucional”, escreveu.
No mesmo e-mail, o coronel lembrou que Filipe Martins está submetido a restrições judiciais relativas ao uso de redes sociais, inclusive por interposta pessoa, e avaliou que a suposta visualização poderia configurar descumprimento de decisão do STF. “Entendo que a ocorrência descrita pode indicar possível descumprimento de determinação judicial, o que justifica a comunicação imediata ao órgão competente”, acrescentou.
Roquetti solicitou que sua identidade fosse mantida em sigilo, mas o pedido não foi atendido. O ministro Alexandre de Moraes anexou o e-mail à decisão que, nesta quinta-feira (18), determinou a prisão preventiva de Filipe Martins, expondo o denunciante.
A manifestação do coronel serviu de base para que Moraes concluísse haver indícios de violação das cautelares impostas ao ex-assessor. Martins já era investigado em inquérito que apura a atuação de suposta organização criminosa, acusada de propagar conteúdos antidemocráticos e de tentar obstruir investigações.
Ricardo Wagner Roquetti integrou a administração federal no início do governo Bolsonaro, mas foi desligado posteriormente, episódio que motivou a expressão “fogo amigo” usada por interlocutores diante da denúncia contra o ex-colega de governo.
A defesa de Filipe Martins não se manifestou até o fechamento desta edição. O LinkedIn também não comentou sobre eventuais logs de acesso ou fornecimento de informações ao Supremo.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de News Google
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