A Meta eliminou, em janeiro de 2025, vários temas de personalização dos chats do Facebook e do Instagram voltados à comunidade LGBTQIA+, entre eles as opções “Transgênero” e “Não-binário”. A empresa também alterou o nome do tema “Orgulho” para “Arco-íris”, medida que gerou ampla contestação de usuários e organizações de defesa dos direitos LGBTQIA+.
As mudanças atingiram a ferramenta que permite escolher cores e papéis de parede para conversas privadas. Segundo relatos de usuários, as opções ligadas a identidades de gênero e orientação sexual deixaram de aparecer de forma repentina, sem qualquer aviso prévio.
Depois da repercussão negativa, parte das configurações foi restaurada, mas não havia registro, até o fechamento desta edição, do retorno dos temas especificamente identificados como “Transgênero” e “Não-binário”. A Meta não divulgou nota oficial explicando a exclusão nem detalhou quais critérios usou para manter ou retirar os itens.
Controvérsia ampliada por novas diretrizes
A retirada dos temas ocorreu paralelamente à implementação de novas políticas de moderação que, de acordo com grupos de direitos humanos, flexibilizam regras contra discursos de ódio direcionados a pessoas trans e demais integrantes da comunidade LGBTQIA+. A coincidência dos dois fatos intensificou as críticas, levantando questionamentos sobre o compromisso da gigante de tecnologia com a inclusão e a segurança de públicos vulneráveis.
Organizações que monitoram violência on-line afirmam que a plataforma tem registrado aumento de conteúdos hostis desde a atualização das diretrizes. Elas pedem transparência sobre o impacto das mudanças e exigem o restabelecimento integral das opções de personalização removidas.
Reação de usuários e ativistas
Nas redes sociais, ativistas classificaram a medida como “apagamento simbólico” de identidades trans e não-binárias. Mensagens com a hashtag #MetaStopErasingUs circularam no X (antigo Twitter) e no próprio Instagram, cobrando explicações da companhia. Alguns perfis relataram ter aberto reclamações formais por meio dos canais de atendimento das plataformas.
Até o momento, a Meta limitou-se a confirmar que promoveu uma “revisão contínua” dos temas de chat, prática que, segundo a empresa, faz parte do esforço para “manter a experiência do usuário atualizada”. Não houve menção específica às demandas levantadas por comunidades LGBTQIA+.
Entidades de defesa dos direitos digitais dizem esperar que o episódio pressione a Meta a criar processos de consulta pública antes de alterar recursos associados a minorias. Para esses grupos, a devolução parcial dos temas demonstra que o retorno de usuários pode influenciar decisões de produto, mas ainda deixa lacunas sobre a responsabilidade da plataforma em evitar discriminação.
Não há previsão para a conclusão da revisão interna nem indicação de quando (ou se) as opções “Transgênero” e “Não-binário” voltarão a ficar disponíveis.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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