O Produto Interno Bruto (PIB) per capita da Venezuela sofreu uma queda de quase 90% entre 2012 e 2020, período que abrange o final do governo Hugo Chávez e os primeiros anos da gestão Nicolás Maduro. O recuo, apontado em dados do Banco Mundial, devolveu a renda média do país a patamares semelhantes aos de 1973, anulando cerca de meio século de crescimento econômico.
Nos anos 2000, o país ainda colhia os frutos da alta internacional das commodities. De acordo com o Banco Mundial, o PIB per capita venezuelano passou de US$ 4.776 em 2000 para US$ 13.646 em 2010, auge da fase Chávez, impulsionada por elevados preços do barril de petróleo.
Por trás dos números positivos, entretanto, já se formava um desequilíbrio estrutural. A partir da chegada de Chávez ao poder, o governo adotou um modelo com forte controle estatal e ampla política de nacionalizações. A petrolífera Petróleos de Venezuela S. A. (PDVSA) foi a âncora do projeto, mas outros segmentos, como alimentos, telecomunicações e indústria, também passaram para as mãos do Estado.
A gestão pública desses setores trouxe gargalos produtivos, aumento da corrupção e fuga de capitais. A estratégia de sustentar a economia quase exclusivamente na renda do petróleo revelou-se frágil quando a cotação do produto começou a cair no mercado externo. Sem reservas e com produtividade em baixa, a economia entrou em contração prolongada.
Renda média desaba em menos de uma década
Hugo Chávez morreu em 2012, ano em que o PIB per capita marcava US$ 12.607. Nicolás Maduro assumiu e, oito anos depois, em 2020, o indicador havia despencado para US$ 1.506. A perda aproximada de 89% equipara a retração a cenários típicos de países que enfrentaram conflitos armados de grande escala.
Comparações internacionais reforçam o contraste. Em 1990, cada chinês produzia em média US$ 319, ou 13% do valor venezuelano (US$ 2.452). Trinta e quatro anos depois, em 2024, a China atingiu US$ 13.303, ao passo que a Venezuela não passou de US$ 4.218. O Brasil também inverteu posições: nos anos 1960, registrava um terço da renda venezuelana; hoje, marca mais que o dobro, com US$ 10.311.
Embora alguns indicadores mostrem leve recuperação recente, a renda média atual representa apenas um terço do que o país chegou a exibir em seu período mais próspero. Analistas apontam que a crise tem raízes estruturais, construídas ao longo de sucessivas decisões de política econômica que concentraram poder no Estado e comprometeram investimentos.
O quadro permanece delicado mesmo após novas sanções dos Estados Unidos ao governo Maduro e diante das tensões internacionais. Especialistas avaliam que, sem mudanças profundas na gestão econômica, a Venezuela continuará distante do status que detinha no passado recente.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
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