O governo federal iniciou um debate público abrangente, envolvendo trabalhadores, empregadores e o Congresso Nacional, com o objetivo de reduzir a jornada máxima de trabalho no Brasil. A proposta central visa diminuir a carga horária de 44 para 40 horas semanais e encerrar o modelo de escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso.
A intenção é transformar o regime atual para a escala 5×2, garantindo cinco dias de trabalho e dois de folga. Essa alteração busca proporcionar maior qualidade de vida à população, com aumento significativo no tempo disponível para descanso e lazer dos trabalhadores brasileiros.
A Realidade da Dupla Jornada Feminina
Denise Ulisses, cobradora de ônibus de 46 anos, residente no Distrito Federal, exemplifica a rotina exaustiva do 6×1. Há 15 anos, ela cumpre seis horas diárias de trabalho de segunda a sábado, com folga apenas aos domingos. Além da jornada no transporte coletivo, Denise dedica-se às tarefas domésticas e ao acompanhamento de seus dois filhos, atualmente com 18 e 22 anos. Ela relata que a fase em que os filhos eram pequenos foi particularmente difícil.
Com a possível adoção da escala 5×2, Denise projeta mais tempo livre. Sua expectativa é poder sair para o sítio nas noites de sexta-feira e retornar somente no domingo à noite, desfrutando de dois dias completos de folga.
Desigualdade de Gênero e o Cuidado Compartilhado
A extinção da escala 6×1 é considerada prioritária pelo governo federal, em especial pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. A ministra Gleisi Hoffmann aponta que a carga horária desse regime recai desproporcionalmente sobre as mulheres, que frequentemente enfrentam uma dupla jornada: o trabalho remunerado e as responsabilidades não remuneradas com o lar e a família.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), corroboram essa percepção. Mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados com pessoas, enquanto homens dedicam 11,7 horas. Essa diferença de 9,6 horas semanais representa quase o dobro do tempo de dedicação feminina. Para mulheres pretas e pardas, o trabalho doméstico não remunerado é ainda 1,6 hora superior por semana em comparação com mulheres brancas.
Sandra Kennedy, secretária Nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, enfatiza que a redução da sobrecarga feminina exige uma revisão estrutural da desigualdade de gênero na sociedade. Segundo ela, na soma do trabalho doméstico e formal, as mulheres trabalham consideravelmente mais que os homens. A secretária acredita que o fim da jornada 6×1 pode fomentar uma divisão mais equitativa das tarefas domésticas, defendendo que o cuidado deve ser compartilhado entre homens e mulheres e que os homens precisam ter mais tempo em casa para contribuir.
Kennedy ainda ressalta que a dupla jornada tem um impacto direto na saúde feminina, resultando em menos tempo para estudos, qualificação profissional e conciliação entre vida pessoal e social, o que se manifesta em um evidente adoecimento das mulheres.
Consequências na Rotina e Formação Profissional
Tiffane Raane, auxiliar de serviços gerais em uma rede de academias no Distrito Federal, também sente os efeitos do excesso de trabalho. Sua jornada é de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, com uma hora de almoço, e inclui sábados ou domingos alternados a cada semana. Fora do emprego, Tiffane se dedica aos cuidados com a casa e com seu filho de 7 anos.
A jovem paga R$ 350 mensais a uma cuidadora para ficar com o filho quando ele está fora da escola. Seu filho sente falta de sua ajuda diária nas atividades escolares, pois Tiffane chega tarde do trabalho, exausta. Devido à sua intensa rotina, ela tem adiado o desejo de retomar a faculdade de educação física, que almeja como um caminho para melhores remunerações.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google Notícias
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