Cuiabá – Parlamentares da Assembleia Legislativa de Mato Grosso articulam a retirada de assinaturas que viabilizaram a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, oficializada nesta semana. Parte dos deputados afirma que as rubricas foram coletadas em 2023, em outro contexto político, e que a instalação neste momento, às vésperas de ano eleitoral, não seria adequada.
O principal alvo das críticas é o deputado Wilson Santos (PSD), responsável por protocolar o pedido de investigação. Colegas alegam que o parlamentar conduziu o processo sem consultar novamente os signatários e, por isso, teria agido “de má-fé”. O líder do governo na Casa, Dilmar Dal Bosco (União Brasil), verbalizou a insatisfação pública e disse que Wilson “queimou a largada” ao não comunicar a leitura da CPI em plenário.
Entre os insatisfeitos está o deputado Dr. João (MDB), que declarou sentir-se “desconfortável” por não ter acompanhado a leitura da comissão. Segundo ele, quando assinou o requerimento, em 2023, não havia previsão de instalação em 2026. “Eu não estava presente no plenário quando foi confirmada a CPI. Quero rever minha posição”, afirmou à imprensa na manhã desta quarta-feira (11).
A principal dúvida no Parlamento é se o regimento interno permite que deputados retirem o apoio depois de a comissão ter sido oficialmente criada. Até o momento, não há decisão da Mesa Diretora sobre a possibilidade de anulação das assinaturas. Nos bastidores, no entanto, circula a avaliação de que a CPI permanece válida enquanto mantiver o mínimo de apoios exigidos — nove dos 24 parlamentares.
Instalada para apurar eventuais irregularidades na aplicação de recursos públicos no sistema estadual de saúde, a CPI da Saúde ganhou força após denúncias de sobrepreço em contratos firmados durante a pandemia. O texto do pedido prevê a investigação de compras emergenciais, contratos com Organizações Sociais (OSs) e repasses a hospitais filantrópicos.
Wilson Santos sustenta que não houve qualquer irregularidade na tramitação do requerimento. “O documento permaneceu à disposição de todos os colegas. Quem se arrependeu pode explicar à sociedade, mas o rito foi cumprido”, rebateu. O deputado garante que não recuará e que pretende convocar secretários, gestores e fornecedores para prestar depoimentos assim que a CPI for instalada de fato.
Enquanto o embate segue, líderes partidários tentam acordo para evitar que a crise interna afete votações de interesse do governo estadual. O Executivo acompanha o tema de perto, já que eventuais quebras de sigilo e pedidos de informação podem levar o foco da investigação às finanças da Secretaria de Estado de Saúde.
Mesmo com o impasse, a expectativa é de que a comissão seja oficialmente composta na próxima sessão deliberativa. Caso as retiradas de assinatura não sejam autorizadas, os parlamentares terão de indicar membros titulares e suplentes, escolher presidente, relator e definir o cronograma de trabalho.
Até lá, Wilson Santos afirma que não pretende dialogar sobre possíveis adiamentos. “O cidadão quer respostas sobre o uso do dinheiro da saúde. Se tentarem derrubar a CPI, vão ter de explicar ao eleitor”, concluiu.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Reporter MT
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