Brasília – O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) avaliou, na 315ª reunião realizada nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, que o Sistema Interligado Nacional (SIN) mantém condições de segurança para atender a demanda de energia ao longo do ano. O encontro ocorreu no Ministério de Minas e Energia (MME).
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as chuvas registradas desde a reunião anterior, em 14 de janeiro, elevaram os estoques nos reservatórios para cerca de 50% da capacidade total do SIN. Por subsistema, os níveis chegaram a 47% no Sudeste/Centro-Oeste, 59% no Sul, 54% no Nordeste e 59% no Norte.
Monitoramento do período úmido
O ONS continuará acompanhando a evolução do período chuvoso, sobretudo nas bacias do rio Paraná e da Região Sul. A estratégia inclui reduzir a inflexibilidade hidráulica, medida que busca recuperar o armazenamento nas hidrelétricas.
Agenda estratégica aprovada
O colegiado aprovou a Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, documento que organiza ações preventivas e reforça a coordenação entre planejamento, operação, comercialização e regulação do setor. A agenda também prevê a consolidação de um plano para possíveis reduções de vazão mínima na bacia do Paraná a partir de março, após o período de piracema, condicionadas à situação hidrológica que será reavaliada na próxima reunião, marcada para 4 de março.
Aversão ao risco nos modelos
Foram ratificados os estudos exigidos pela Resolução CMSE nº 1/2025 sobre parâmetros de aversão ao risco usados nos modelos computacionais do setor elétrico. O trabalho, conduzido pelo Comitê Técnico PMO/PLD, analisou os pares CVaR (15,30 a 15,50). As conclusões serão submetidas a consulta pública ainda em fevereiro e detalhadas em workshop em 25 de fevereiro de 2026.
Cenário hidrometeorológico
Em janeiro, dois episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul favoreceram precipitações acima da média nas bacias do Paranaíba, Grande e alto e médio São Francisco, mas não eliminaram o déficit pluviométrico. A energia natural afluente (ENA) ficou abaixo da média histórica em todos os subsistemas, atingindo 63% da Média de Longo Termo no conjunto do país.
Para fevereiro, o cenário mais favorável projeta ENA de 75% da MLT e armazenamento de 55,9% no SIN. No cenário inferior, os índices podem cair para 58% e 50%, respectivamente.
Expansão do sistema
Em janeiro, entraram em operação 924 MW de capacidade de geração centralizada, 4,7 km de novas linhas de transmissão e 86 MVA em transformadores. Destacam-se 409 MW do complexo fotovoltaico Draco Solar (MG) e 99,9 MW do complexo eólico São Claus (BA).
Comercialização e intercâmbio
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) informou que a liquidação de dezembro de 2025 no Mercado de Curto Prazo somou R$ 3,32 bilhões, com 89,68% efetivamente liquidados. No comércio internacional, não houve importação; as exportações termelétricas alcançaram 151 MWmédios em janeiro, destinados integralmente à Argentina.
Desativação de térmicas em Roraima
Com a interligação de Roraima ao SIN, o CMSE autorizou em 14 de janeiro o início da retirada de usinas térmicas locais. A primeira etapa, concluída até 11 de março, envolve as UTEs Floresta (35 MW) e Distrito I e II (20 MW cada). As demais etapas incluem as UTEs Monte Cristo II (28,5 MW) e Monte Cristo I (83 MW) até 17 de abril.
O CMSE seguirá avaliando, em caráter permanente, as condições de suprimento do país e publicará a ata completa da reunião após aprovação dos participantes.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Ministério de Minas e Energia
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