Cuiabá – Uma experiência de duas semanas em um hotel-fazenda dedicado a treinamentos de inteligência emocional e espiritual levou a psicóloga e empresária Cynthia Lemos a levantar um sinal de alerta sobre o impacto da inteligência artificial (IA) nas relações interpessoais.
Em artigo publicado em sua coluna quinzenal, Lemos relata que participou, ao lado da família, de um programa intensivo voltado ao uso de competências socioemocionais no ambiente corporativo. Segundo ela, a imersão evidenciou a rapidez com que empresas adotam automação e ferramentas de IA, mas também revelou a fragilidade de habilidades consideradas básicas, como escuta ativa, colaboração e reconhecimento mútuo.
Exercício doméstico expõe barreiras emocionais
De volta a Cuiabá, a psicóloga decidiu aplicar um dos exercícios aprendidos – a escuta ativa – durante um jantar em casa. A dinâmica consistia em verbalizar sentimentos positivos a um familiar e, em seguida, ouvir a reação do interlocutor sem interromper ou julgar. O primeiro teste, feito com o marido, demonstrou constrangimento inicial, algo que Lemos atribui ao condicionamento cultural que inibe demonstrações de afeto, principalmente entre homens.
O cenário mudou quando o filho de 11 anos entrou na conversa e declarou admiração pelo pai. A manifestação espontânea, relatou a psicóloga, emocionou o marido, que respondeu com orgulho e afeto. A filha de seis anos também participou, reforçando o ambiente de proximidade criado sem apoio de qualquer recurso tecnológico.
“Alta performance sem conexão é insustentável”
Para Lemos, a cena familiar ilustra um problema maior: o risco de que profissionais, focados em produtividade mediada por IA, percam competências que garantem coesão e engajamento em equipes. “Alta performance sem conexão é insustentável”, advertiu, citando o ex-CEO da General Electric, Jack Welch, defensor da celebração de conquistas dentro das organizações.
A psicóloga argumenta que liderar tecnologias emergentes exige maturidade relacional, pensamento crítico e profundidade emocional – qualidades que, segundo ela, não se desenvolvem em isolamento. “Se não exercitarmos nossa inteligência humana, podemos nos tornar dependentes da inteligência artificial e não líderes dela”, escreveu.
Convite a líderes e empreendedores
Dirigindo-se a gestores e empreendedores, Lemos sugeriu um gesto simples: reservar tempo no dia para reconhecer, agradecer e expressar sentimentos de forma explícita a alguém da equipe ou da família. Na avaliação da psicóloga, práticas de vínculo fortalecem a cultura organizacional, favorecem resultados sustentáveis e constroem legado.
O artigo encerra com a reflexão de que ganhos em eficiência não devem ser acompanhados por perdas em humanidade. Para Lemos, a capacidade de se conectar continua sendo diferencial competitivo mesmo em um cenário dominado pela inteligência artificial.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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