Pelo menos 30 pastores e dirigentes da Igreja Zion foram presos em uma ação simultânea conduzida pelo governo chinês desde a última quinta-feira (9). A operação, descrita por agências internacionais como a maior ofensiva contra cristãos no país em anos, ocorreu em quatro regiões: Pequim, Guangxi, Zhejiang e Shandong.
Segundo relatórios de organizações de direitos humanos e agências de notícias estrangeiras, agentes de segurança invadiram residências e locais de culto, apreendendo computadores, telefones celulares e outros equipamentos utilizados pela congregação. Não há, até o momento, informações sobre o paradeiro exato de todos os detidos nem sobre acesso a advogados.
Fundador da igreja está entre os detidos
Entre os presos está o pastor Ezra Jin Mingri, fundador da Igreja Zion. Ele foi detido em sua casa na cidade de Beihai, na região sul da China. As autoridades o acusam de “uso ilegal de redes de informação”, crime que, conforme a legislação chinesa, pode resultar em pena de até sete anos de prisão.
Testemunhas relatam que a polícia vasculhou a residência do líder religioso e confiscou todos os dispositivos eletrônicos disponíveis. Familiares não foram autorizados a acompanhar a operação nem a manter contato com o pastor após a prisão.
Repressão ampliada
A ofensiva recente é apontada por analistas como parte de uma estratégia mais ampla do governo de Xi Jinping para reforçar o controle estatal sobre organizações religiosas independentes. Desde 2018, Pequim vem adotando medidas mais rígidas contra igrejas domésticas — congregações que funcionam fora do escopo oficial autorizado pelo Estado —, impondo requisitos de registro, vigilância e censura a conteúdos religiosos online.
Organizações internacionais de defesa da liberdade religiosa afirmam que a Igreja Zion já havia sido alvo de pressões anteriores, incluindo interdições de locais de reunião e intimidações a fiéis. Entretanto, o número de prisões desta semana é considerado sem precedentes na história recente da denominação.
Consequências e próximos passos
Até esta sexta-feira (10), as autoridades chinesas não divulgaram comunicado oficial detalhando as razões das detenções nem apresentaram provas das acusações. Especialistas alertam que os acusados podem permanecer incomunicáveis por semanas, etapa comum em processos envolvendo supostas infrações de segurança nacional ou de internet no país.
Advogados ligados a grupos de direitos civis afirmam que tentarão registrar pedidos de habeas corpus e acesso aos autos, mas reconhecem que a tramitação judicial em casos considerados sensíveis costuma ser lenta. A Embaixada da China em vários países foi procurada por veículos de imprensa internacionais, mas não comentou o assunto.
Entidades cristãs no exterior convocaram manifestações e correntes de oração pela libertação dos pastores e pela preservação da liberdade religiosa na China. Nos últimos anos, diversos relatórios internacionais têm classificado o país como um dos mais restritivos ao exercício de crenças fora dos órgãos oficiais controlados pelo Partido Comunista Chinês.
Ainda não há previsão para audiências ou julgamento dos 30 religiosos presos nesta semana. Familiares aguardam atualizações enquanto monitoram a situação por meio de advogados e organizações não governamentais atuantes na região.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de NocentrodoPoder
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