Cuiabá – O prefeito da capital mato-grossense, Abilio Brunini (PL), afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado neste fim de semana, demonstrou “ódio aos evangélicos” e configurou propaganda eleitoral antecipada em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Evangélico e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime fechado, Abilio criticou o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, dedicado ao chefe do Executivo federal. Segundo o prefeito, a apresentação mostra incoerência com declarações recentes de Lula de que buscaria aproximação com o segmento religioso. “Dias atrás ele disse que precisava correr atrás dos votos dos evangélicos. No desfile, a máscara caiu: eles odeiam o povo cristão e não têm vergonha de se manifestar”, declarou.
O prefeito também atacou o carro alegórico intitulado “Neoconservadores em conserva”, onde integrantes usavam fantasias que simulavam latas com o rótulo de uma família. Para políticos de direita, a alegoria faz referência direta aos evangélicos, que compõem grande parte do eleitorado de Bolsonaro. “Ali não é lugar de quem ama a Deus. Estão servindo a outros deuses”, disse Abilio, acrescentando que o ato já era “esperado da esquerda”.
Acusações de ilegalidade
Abilio sustentou que o desfile violou a legislação eleitoral por promover a imagem de Lula antes do período permitido para campanha de 2026. Ao mesmo tempo, previu que não haverá punição. “Há uma proteção. Lula tudo pode. Vamos ver quem terá coragem de julgar e buscar a inelegibilidade dele”, provocou.
O prefeito ainda classificou a apresentação como “pré-campanha descarada” e comemorou o que chamou de exposição da “verdadeira face” do governo petista. “Parabéns à escola por revelar a máscara da esquerda”, concluiu.
Repercussão na base bolsonarista
A fala de Abilio repercutiu entre lideranças conservadoras de Mato Grosso. O presidente estadual do PL, Ananias Filho, anunciou que a executiva nacional do partido pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar eventual crime de propaganda extemporânea. O senador Wellington Fagundes (PL) avaliou que houve “deboche aos evangélicos”, e o deputado federal Coronel Assis (PL) classificou o episódio como “flagrante desrespeito à lei eleitoral”, acusando Lula de usar o Carnaval para “zombar de Bolsonaro e se autopromover”.
No mesmo tom, o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) defendeu a declaração de inelegibilidade do presidente. Já o vereador cuiabano Rafael Ranalli, aliado de Abilio, gravou vídeo chamando a homenagem de “ódio travestido de festa” e disse ser “escroto zombar de, no mínimo, metade da população brasileira”.
Entre os opositores, até o momento não houve manifestação pública respondendo às críticas. A Acadêmicos de Niterói não se pronunciou oficialmente sobre as acusações de cunho religioso ou eleitoral.
O debate ocorre a menos de oito meses do início oficial da campanha, na qual Lula deve buscar a reeleição e ter, entre os principais adversários, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A possível ação do PL no TSE ainda não tem data para ser protocolada.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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