Brasília – A dívida pública bruta do Brasil deve continuar avançando nos próximos anos e alcançar 98,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2030, aponta o relatório Monitor Fiscal, publicado nesta quarta-feira (15/10) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O documento foi divulgado paralelamente à reunião anual do órgão com o Banco Mundial, em Washington (Estados Unidos).
De acordo com as projeções, o indicador, que fechou 2023 em 87,3% do PIB, deve crescer para 91,4% em 2025 e, posteriormente, aproximar-se de 100% em 2030, último ano do próximo mandato presidencial. Mesmo com ligeira melhora em relação ao estudo anterior – que estimava 99,4% para 2030 –, o FMI salienta que o quadro segue preocupante.
Patamar acima dos emergentes
O percentual projetado para 2025 (91,4%) coloca o Brasil acima da média prevista para os 38 países emergentes analisados, estimada em 73,9% do PIB. Dentro desse grupo, o Brasil aparece com a quarta maior relação entre dívida e PIB, atrás apenas do Bahrein (142,5%), da Ucrânia (108,6%) e da China (96,3%).
Há seis meses, o FMI calculava que a dívida brasileira chegaria a 92% do PIB em 2025. A revisão para baixo de 0,6 ponto percentual sinaliza leve alívio, mas não altera o diagnóstico de que o país permanecerá entre aqueles com maior endividamento relativo.
Resultado primário
O relatório também atualiza as projeções para o resultado primário — diferença entre receitas e despesas do governo, excluídos os juros da dívida. Para 2025, o FMI mantém expectativa de déficit de 0,6% do PIB. Em 2026, o saldo negativo recuaria a 0,4%.
A partir de 2027, primeiro ano do governo que assumirá em 2026, a conta deve voltar ao azul, com superávit estimado em 0,3% do PIB. O excedente seguiria crescente até atingir 1,4% em 2030, projeção que depende da execução de políticas fiscais capazes de conter gastos e elevar receitas.
Contexto e metodologia
As estimativas do FMI consideram variáveis como crescimento econômico, taxa de juros e câmbio, além de hipóteses de políticas fiscais anunciadas pelo governo. O órgão ressalta que pressões sobre a despesa obrigatória e o ambiente de juros elevados continuam representando riscos para a trajetória da dívida brasileira.
No plano global, o Monitor Fiscal aponta estabilização do endividamento médio dos emergentes, mas destaca que grandes economias em desenvolvimento — caso do Brasil — enfrentam desafios específicos, sobretudo para conciliar necessidades sociais com a consolidação das contas públicas.
Por fim, o Fundo observa que a credibilidade das metas fiscais e a adoção de reformas estruturais serão determinantes para reduzir o crescimento da dívida e, eventualmente, inverter a tendência de alta prevista até o fim da década.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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