A Nestlé informou nesta quinta-feira (16/10) que vai dispensar aproximadamente 16 mil colaboradores nos próximos meses. O enxugamento corresponde a 5,8 % do quadro global da companhia, que emprega hoje 277 mil pessoas em diversos países.
O anúncio foi feito pelo novo diretor-executivo, Philipp Navratil, durante apresentação a investidores. Segundo o executivo, a medida faz parte de um plano de redução de custos que ganhou metas mais ambiciosas. A multinacional suíça agora pretende economizar US$ 3,76 bilhões (cerca de R$ 20,4 bilhões) até o fim de 2027, acima dos US$ 3,13 bilhões (aproximadamente R$ 17 bilhões) definidos anteriormente.
“O mundo está mudando, e a Nestlé precisa mudar mais rápido”, declarou Navratil ao justificar o programa de cortes. Ele acrescentou que a reorganização será acompanhada de investimentos em áreas com maior potencial de crescimento, mas não detalhou quais setores ou regiões serão mais afetados pelas demissões.
A reação do mercado foi imediata. Logo após a divulgação, as ações da Nestlé na Bolsa de Zurique subiam quase 8 % no início do pregão. Analistas interpretaram a decisão como sinal de disciplina financeira para recuperar a confiança de investidores, abalada por seguidas revisões nas projeções de crescimento.
Fundada em 1866, a Nestlé mantém um portfólio que inclui cafés, laticínios, chocolates, alimentos infantis e nutrição médica. A empresa opera em 188 países e registrou receita de US$ 104,3 bilhões em 2023. Nos últimos anos, a multinacional vem enfrentando aumento nos custos de matérias-primas e maior concorrência em segmentos considerados estratégicos.
O processo de desligamentos será implementado gradualmente, de acordo com legislações locais e acordos sindicais. A companhia informou que oferecerá pacotes de indenização e programas de recolocação aos funcionários afetados, mas não divulgou valores.
Não houve menção a fechamentos de fábricas ou escritórios. Contudo, Navratil sinalizou que o ajuste poderá incluir realocação de equipes e revisão de contratos com fornecedores para atingir as metas de economia.
Até o momento, a multinacional não detalhou como o corte de 5,8 % dos postos de trabalho será distribuído entre as unidades da América Latina, Europa, Ásia e América do Norte. A empresa prometeu fornecer mais informações “quando os planos estiverem concluídos” e disse que manterá diálogo com sindicatos e autoridades trabalhistas.
O pacote de demissões acontece em meio a movimentos semelhantes de outras gigantes do setor de alimentos e bebidas, que buscam reduzir despesas diante de um cenário econômico ainda incerto e de mudanças no comportamento do consumidor.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google News
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