O Anuário de Violência Doméstica e Crimes Sexuais de 2024, elaborado pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), revela que donas de casa e estudantes são, respectivamente, os grupos que mais registraram ocorrências de violência doméstica em Mato Grosso no último ano.
Quem sofre mais
Entre janeiro e dezembro de 2024, foram contabilizados 147 casos envolvendo mulheres que se dedicam exclusivamente às tarefas do lar. As estudantes aparecem em seguida, com 109 registros. Na terceira posição estão as auxiliares de setores alimentícios, administrativos e de saúde, somando 97 ocorrências.
Outras ocupações com alto índice de registros incluem mulheres desempregadas (88 casos) e aquelas cujas profissões não foram informadas durante o atendimento (81). Empresárias figuram na sexta colocação, com 70 notificações, seguidas por servidoras públicas, profissionais autônomas, vendedoras e aposentadas.
Dependência econômica evidencia vulnerabilidade
O documento destaca que a maior incidência entre donas de casa expõe a dependência financeira das mulheres que não recebem remuneração pelo trabalho doméstico, fator que aumenta a vulnerabilidade a situações de violência. Ainda assim, o anuário indica que nenhuma faixa de escolaridade ou renda está imune: advogadas, psicólogas, empresárias e servidoras públicas também apareceram nas estatísticas, embora em número menor.
Perfil das vítimas
Dos 6.223 atendimentos registrados em 2024, 62% das vítimas possuíam ensino médio ou superior completo. A maioria (55%) declarou-se preta ou parda, a mesma proporção que se enquadra na faixa etária de 30 a 49 anos. Quanto à renda, 58% tinham ganhos entre um e três salários mínimos.
Aumento expressivo dos casos
Comparado a 2023, o total de atendimentos subiu 27% — saltou de 4.881 para 6.223 ocorrências. Segundo a Polícia Civil, os meses de maio e outubro concentraram a maior demanda, enquanto as segundas-feiras foram os dias da semana com mais procura por auxílio, indicando, conforme a delegada responsável, maior autoconsciência das vítimas sobre a necessidade de denunciar.
Quem são os suspeitos
O anuário também traçou o retrato dos agressores: 36% possuem escolaridade média ou superior; 33% são pretos ou pardos; e 63% têm entre 18 e 49 anos — total de 3.919 suspeitos nessa faixa etária. As profissões são variadas, com predominância de empresários e motoristas de aplicativo.
Os dados reforçam que a violência doméstica atravessa diferentes perfis sociais, afetando desde mulheres sem renda formal até profissionais com qualificação superior, e permanece como um desafio contínuo para as autoridades de Mato Grosso.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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