BRASÍLIA – O papiloscopista aposentado da Polícia Federal José Fernando Honorato, 58 anos, morreu em 19 de novembro de 2026 vítima de câncer de pâncreas, depois de quase dois anos sob medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Honorato foi preso em 30 de janeiro de 2023, em Goiânia, apontado como um dos invasores do edifício do STF. Imagens gravadas pelo próprio ex-agente o mostravam circulando em meio aos escombros logo após a depredação. Nos vídeos publicados no Facebook, onde reunia cerca de cinco mil seguidores, ele narrava a destruição e acusava ministros da Corte de corrupção.
À Justiça, o ex-policial alegou que saíra de casa para visitar uma feira de automóveis, almoçara sozinho e, ao ver um comboio da Polícia Militar do Distrito Federal seguido por viaturas do Batalhão de Operações Especiais, decidiu acompanhar o deslocamento por curiosidade até a Praça dos Três Poderes, ingressando em seguida no prédio do tribunal.
Dez meses na Papuda
Sem antecedentes criminais e presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal por quase uma década, Honorato passou dez meses no Complexo Penitenciário da Papuda. Durante os 80 primeiros dias de detenção, perdeu 15 quilos e apresentou quadro de depressão, segundo a defesa.
Diagnóstico e tornozeleira
Em dezembro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes concedeu liberdade provisória após a detecção de uma lesão no pâncreas, posteriormente confirmada como câncer. Mesmo em tratamento oncológico, Honorato teve de usar tornozeleira eletrônica, manter-se afastado de redes sociais e comparecer periodicamente à Justiça.
O equipamento dificultou exames de imagem. Seus advogados chegaram a solicitar retirada emergencial da tornozeleira para realização de ressonância magnética; a dispensa definitiva só ocorreu em outubro de 2026, quando o paciente já estava internado sem previsão de alta.
Bens bloqueados
Logo no início da investigação, o STF determinou o bloqueio dos bens de Honorato, medida que visava identificar possíveis financiadores dos atos de 8 de janeiro. Sem comprovação de envolvimento financeiro, a restrição perdurou e limitou o acesso à aposentadoria bruta de cerca de R$ 19 mil. A partir de fevereiro de 2024, ele recebeu apenas um salário mínimo; o restante ficou retido para eventual indenização coletiva de R$ 30 milhões estipulada pela Corte.
A liberação parcial dos recursos foi autorizada em 17 de novembro de 2026, mas os valores só chegaram à conta do ex-policial dois dias antes de sua morte.
Ação extinta
Honorato faleceu sem ter sido ouvido em audiência de instrução e sem qualquer condenação. A ação penal foi extinta em 25 de novembro de 2026, seis dias após o óbito, por morte do réu.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
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