O economista grego Yanis Varoufakis defende que o capitalismo mundial atravessa uma mutação silenciosa, marcada pela troca da posse de bens pelo simples acesso a serviços digitais. Segundo ele, o fenômeno inauguraria uma fase batizada de “tecnofeudalismo”, na qual o poder econômico deixa de se apoiar apenas na produção de mercadorias e passa a se concentrar no comando de plataformas e infraestruturas virtuais.
Assinaturas substituem a propriedade
No cotidiano, o movimento se revela quando músicas, filmes ou softwares são consumidos por assinatura, e não mais adquiridos de forma definitiva. O modelo, percebido como conveniente, estaria redesenhando a noção de propriedade ao transformar produtos em serviços contínuos, regidos por termos de uso que raramente são lidos pelos usuários.
Do chão de fábrica ao domínio de território digital
Varoufakis recorre a uma analogia histórica para explicar a mudança. No feudalismo, quem controlava a terra ditava as regras da produção agrícola; hoje, argumenta, quem domina o “território” das plataformas digitais estabelece parâmetros de visibilidade, interação e coleta de dados. A rentabilidade, portanto, deriva menos da confecção de bens físicos e mais da gestão do ambiente onde transações e trocas simbólicas ocorrem.
Ecossistemas fechados e nova dependência
Aplicativos de entrega, redes sociais e serviços de streaming formariam ecossistemas proprietários, nos quais o acesso vira moeda principal. A sociedade, cada vez mais inclinada a priorizar experiência em detrimento da posse, passa a depender de soluções que prometem fluidez, mas escondem fronteiras rígidas definidas pelas próprias plataformas.
Efeitos políticos e trabalhistas
A intermediação da vida pública por empresas privadas amplia desafios regulatórios. Moderação de conteúdo, algoritmos de relevância e alcance de mensagens tornam-se decisões com impacto coletivo, mas tomadas sob regras contratuais, não sob legislações democráticas. No campo do trabalho, a promessa de flexibilidade convive com incertezas permanentes: carreiras antes lineares transformam-se em conjuntos de projetos pontuais, exigindo novos mecanismos de proteção social.
Demandas por transparência e concorrência
Para os autores do artigo, entre eles o economista Maurício Munhoz Ferraz, assessor da presidência do Tribunal de Contas de Mato Grosso, e a pesquisadora Sara Nadur Ribeiro, repensar o contrato social tornou-se indispensável. Transparência algorítmica, governança de dados e políticas que assegurem concorrência efetiva despontam como caminhos para reduzir assimetrias entre usuários e plataformas.
Ao propor o conceito de tecnofeudalismo, Varoufakis busca, sobretudo, lançar perguntas: quem fixa as normas do espaço digital? Quanto custa o acesso permanente? E até que ponto a conveniência justifica a dependência crescente de infraestruturas privadas? As respostas, alertam os autores, dependem de novas formas de regulação capazes de equilibrar inovação tecnológica e interesses coletivos.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNEWS
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