A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) foi concluída no último domingo, 29 de março de 2026, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, deixando um impacto significativo na conscientização ambiental. Paralelamente ao evento oficial, a “Conexão sem Fronteiras” ofereceu uma série de atividades gratuitas e abertas ao público na Casa do Homem Pantaneiro.
Este espaço, localizado no Parque das Nações Indígenas e recentemente restaurado, funcionou como um ponto de extensão para os debates da conferência, que se concentravam na Zona Azul, restrita aos credenciados. As iniciativas, exposições e atividades educativas apresentadas no local estimularam a curiosidade dos visitantes sobre os ciclos e as rotas de migração das espécies que atravessam os diversos biomas brasileiros.
Conexão com a Comunidade
A programação paralela promoveu uma reflexão sobre a fauna local. Luiz Henrique Kinikinau, estudante de agroecologia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems), destacou a importância de perceber espécies migratórias que antes passavam despercebidas na região. “Faz a gente refletir que muitas das aves que a gente tem no nosso território passavam despercebidas. Muitas vezes são aves migratórias que a gente não tinha notado, não tinha essa noção”, afirmou Kinikinau.
A professora Adriana Suzuki, da rede municipal de Campo Grande, em entrevista concedida em 27 de março de 2026, ressaltou a relevância da recuperação de um espaço público para fins educativos. Apesar de ser praticante da observação de pássaros, ela confessou não ter conhecimento da conferência da ONU sobre conservação de espécies migratórias antes da escolha da capital sul-mato-grossense como sede da COP15. Ao tomar conhecimento da programação, a professora identificou uma oportunidade de aprofundar seus conhecimentos e aplicá-los em projetos pedagógicos. “Então, eu vim estabelecer parcerias a fim de desenvolver projetos, transformar o que a gente vai aprender aqui hoje em processos pedagógicos”, explicou.
Legado e Futuro
A secretária Nacional de Biodiversidade, Rita Mesquita, avaliou, no encerramento da COP15, que a iniciativa promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima foi bem-sucedida em demonstrar o potencial da Casa do Homem Pantaneiro como um centro democrático para a divulgação científica. “A gente ficou muito satisfeito com os resultados e com a grande receptividade de todos que foram lá visitar”, declarou a secretária.
Rita Mesquita também enumerou outros legados duradouros da conferência para a cidade e o país. Entre eles, está a criação do Bosque da COP15, um novo espaço verde urbano. Além disso, a conferência impulsionará a produção de conhecimento científico com o lançamento de um edital de pesquisa. Este edital, a ser publicado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, será destinado a pesquisadores, universidades e centros de pesquisa brasileiros, visando fomentar estudos sobre espécies e rotas migratórias.
A secretária concluiu enfatizando o caráter colaborativo do evento: “É pensar que a gente está aqui construindo alguma coisa também para olhar para o futuro e ter um legado para a cidade. Isso foi muito bacana e foi um esforço compartilhado, integrado por todos os níveis, entes, com muitas parcerias”.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google Notícias
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