Jason Miller compartilhou levantamento sobre a votação em 4.371 municípios brasileiros; Justiça Eleitoral afirma que comparação entre os turnos não comprova fraude
O estrategista político americano Jason Miller, assessor de comunicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou o resultado das eleições presidenciais brasileiras de 2026 e classificou como “matematicamente impossível” o crescimento da votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação à de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
Em publicação na rede social X, na quinta-feira (29), Miller compartilhou um levantamento divulgado por um usuário brasileiro que compara a evolução da votação dos dois candidatos em 4.371 municípios. A análise sustenta que Lula teria ampliado sua votação mais do que Flávio em localidades onde candidatos identificados com a direita haviam recebido votos no primeiro turno.
O assessor de Trump comentou a publicação com a frase “Isso é matematicamente impossível”, em inglês, demonstrando concordância com o questionamento apresentado no levantamento.
Diferença entre os dois turnos.
Segundo os números oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21%.
A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.
Na comparação com o primeiro turno, Lula ampliou sua votação em cerca de 10,37 milhões de votos, enquanto Flávio acrescentou aproximadamente 3,72 milhões.
O levantamento compartilhado por Miller utiliza essa diferença de crescimento para questionar o comportamento eleitoral em milhares de municípios. Entretanto, os resultados agregados não permitem identificar individualmente como votaram os eleitores que escolheram candidatos eliminados na primeira etapa.
Justiça Eleitoral contesta alegação de impossibilidade
Em checagem publicada em 28 de outubro, a Justiça Eleitoral classificou como falsa a afirmação de que a mudança na votação entre o primeiro e o segundo turno seria matematicamente impossível ou comprovaria fraude.
Segundo os dados apresentados pelo órgão, a abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,22% no segundo, o que representou aproximadamente 2,96 milhões de eleitores a mais nas urnas.
Também houve redução dos votos brancos e nulos, aumentando o total de votos destinados aos dois candidatos que disputaram a etapa final.
A Justiça Eleitoral explica que eleitores que votaram em candidatos eliminados podem escolher qualquer um dos dois concorrentes no segundo turno. Também podem mudar de preferência, deixar de comparecer ou participar da votação mesmo tendo faltado à primeira etapa.
Por isso, a comparação entre o crescimento das votações não permite concluir, isoladamente, que houve irregularidade na apuração.
Quem é Jason Miller
Jason Miller é estrategista político americano e aliado de longa data de Donald Trump. Participou das campanhas presidenciais republicanas e mantém relações políticas com integrantes da família Bolsonaro.
Em 2021, esteve no Brasil a convite do então deputado federal Eduardo Bolsonaro para participar de um evento conservador. Em 2026, também manifestou apoio público à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
A manifestação de Miller amplia a repercussão internacional dos questionamentos levantados por setores da direita brasileira sobre o resultado eleitoral. Até o momento, porém, a publicação do assessor não apresenta evidências técnicas de adulteração de votos ou de fraude na apuração.
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