A dívida pública bruta do Brasil deve manter trajetória de alta nos próximos anos e chegar a 98,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2030, segundo projeções divulgadas nesta quarta-feira (15) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Os números constam do Monitor Fiscal, relatório apresentado paralelamente às reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Washington (Estados Unidos).
De acordo com o documento, o nível de endividamento brasileiro, que estava em 87,3% do PIB no ano passado, deve avançar para 91,4% em 2025, ultrapassando em mais de 17 pontos percentuais a média estimada para as economias emergentes neste ano, de 73,9% do PIB.
Na comparação com as projeções divulgadas há seis meses, o cenário mostra leve melhora. Em abril, o FMI estimava a dívida brasileira em 92% do PIB em 2025 e em 99,4% em 2030. Apesar da revisão marginal, o organismo multilateral considera o quadro ainda preocupante.
Entre as maiores dívidas emergentes
Se confirmado o patamar de 91,4% do PIB em 2025, o Brasil terá a quarta maior dívida bruta entre 38 países emergentes acompanhados pelo FMI. Ficará atrás apenas do Bahrein, projetado em 142,5% do PIB, da Ucrânia, com 108,6%, e da China, estimada em 96,3%.
Resultado primário
O relatório também manteve praticamente inalteradas as previsões para o resultado primário – diferença entre receitas e despesas do governo, excluídos os juros da dívida. Para 2025, o FMI calcula déficit de 0,6% do PIB, seguido de déficit de 0,4% em 2026. A expectativa é que o indicador volte ao campo positivo em 2027, primeiro ano do próximo governo, com superávit de 0,3% do PIB, alcançando superávit de 1,4% em 2030.
O desempenho das contas públicas é um dos principais fatores observados pelo FMI na avaliação da trajetória da dívida. Superávits primários consistentes ajudam a conter o crescimento do endividamento, enquanto déficits recorrentes pressionam a relação dívida/PIB.
Para as autoridades brasileiras, a sinalização do FMI serve de alerta sobre a necessidade de manter um arcabouço fiscal que assegure equilíbrio das contas públicas e confiança dos investidores. O governo aposta no novo regime de metas para o resultado primário e em medidas de aumento de receitas para reverter o quadro de déficits nos próximos anos.
O Monitor Fiscal detalha ainda o impacto de fatores externos, como crescimento global mais lento e custos de financiamento elevados, sobre as economias emergentes. Para o FMI, países com dívida elevada e espaço fiscal limitado, caso do Brasil, estão mais expostos a choques de mercado e a volatilidade cambial.
O organismo destaca que a combinação de disciplina orçamentária, reformas estruturais que reforcem o crescimento e políticas de arrecadação mais eficientes é essencial para reduzir a dívida de forma sustentável. Embora reconheça avanços pontuais, o FMI alerta que o ritmo de consolidação fiscal precisa ser mantido para evitar que a relação dívida/PIB ultrapasse a marca simbólica de 100% na próxima década.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de No Centro do Poder
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