O ministro Kassio Nunes Marques, atual vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assumirá o comando da Corte em 4 de junho de 2026 e será o responsável pela organização das Eleições Gerais daquele ano. A mudança ocorre com o término do mandato da ministra Cármen Lúcia na presidência do tribunal.
Com a posse de Nunes Marques, o ministro André Mendonça, também integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), ocupará a vice-presidência do TSE durante o período decisivo do pleito. A eleição de 2026 envolverá mais de 156 milhões de eleitores e manterá a mesma estrutura de votação eletrônica utilizada desde 1996.
Rotatividade e composição
O TSE é composto, no mínimo, por sete magistrados: três do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois advogados indicados pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e nomeados pelo presidente da República. Cada membro exerce mandato de dois anos, com possibilidade de recondução por igual período, exceto os representantes do STJ, que só podem permanecer um biênio.
Nunes Marques e André Mendonça foram nomeados para o STF em 2020 e 2021, respectivamente, pelo então presidente Jair Bolsonaro. Pela regra de alternância entre os ministros do Supremo, ambos chegaram ao TSE em maio de 2023, inaugurando o biênio que culminará na chefia da Corte Eleitoral em 2026.
Perfil e decisões
Considerado de perfil conservador, Nunes Marques tem se posicionado a favor de menor intervenção da Justiça Eleitoral em disputas partidárias, defendendo que os resultados das urnas sejam respeitados sem que o tribunal funcione como um “terceiro turno”. Em votações recentes, ele alinhou-se a correntes que reforçam a autonomia dos partidos e a segurança do sistema eletrônico de votação.
Durante o Fórum Nacional VerDemocracia, o ministro destacou o compromisso com a confiabilidade das urnas: “Passadas quase três décadas, a urna eletrônica segue evoluindo para entregar cada vez mais eficiência, transparência e celeridade, permitindo que o voto de milhões de eleitores aptos seja apurado com segurança e rapidez”, afirmou. Para ele, o voto eletrônico é “patrimônio nacional” e deve ser constantemente aperfeiçoado.
Contexto político
As eleições de 2026 tendem a reproduzir a polarização vista em 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) protagonizaram a disputa presidencial. A mudança no comando do TSE, entretanto, traz um perfil distinto do observado naquele pleito, conduzido por Alexandre de Moraes.
A gestão de Nunes Marques terá à frente desafios como a organização logística de votação em todo o país, a expansão de mecanismos de transparência, a verificação de sistemas de totalização e o julgamento de eventualidades eleitorais que cheguem ao tribunal.
Até que o ministro assuma oficialmente a presidência, Cármen Lúcia continuará liderando o período preparatório, que inclui definição de urnas, calendários, testes públicos de segurança e regulamentações de propaganda.
Nunes Marques ficará no cargo até junho de 2028, podendo ser reconduzido por mais um biênio, situação que dependerá de nova eleição interna no TSE.
Com essa transição, a Corte Eleitoral projeta manter o cronograma de aprimoramentos tecnológicos e de transparência, reafirmando o compromisso de apurar o voto de cada brasileiro “com fidelidade única”, nas palavras do futuro presidente.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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