Cuiabá – O governador Mauro Mendes aposta em votação marcada para esta quarta-feira (14) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para assegurar a aprovação da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores estaduais, fixada em 4,26%, percentual que reflete a inflação projetada para 2025.
De acordo com estimativas do Poder Executivo, o reajuste representará acréscimo de cerca de R$ 80 milhões por mês na folha de pagamento e impacto total de R$ 1,04 bilhão ao longo de 2026.
Insatisfação sindical e ameaça de paralisação
Sindicatos que representam o funcionalismo reagiram ao percentual proposto, alegando que o governo ignora um passivo salarial acumulado de 19,52% entre 2017 e 2026, calculado pelos trabalhadores em aproximadamente R$ 3,3 bilhões. A Federação dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP-MT) acusou o Estado de romper o compromisso de negociar a recomposição dessas perdas.
Diante da falta de acordo, dirigentes sindicais passaram a discutir a convocação de uma greve geral caso a proposta seja confirmada sem alterações. As categorias afirmam que só recuarão se o Palácio Paiaguás apresentar cronograma claro para quitar o passivo.
Emenda busca ampliar a recomposição
Na tentativa de atenuar o impasse, o deputado Lúdio Cabral (PT) informou que protocolará emenda acrescentando 4,92% à correção sugerida pelo governo, totalizando 9,18% de reajuste. O parlamentar argumenta que a medida garantiria reposição parcial das perdas acumuladas nos últimos sete anos.
“O funcionalismo tem direito a receber a inflação anual e parte do que ficou para trás. Nossa emenda direciona recursos para mitigar esse déficit”, declarou Cabral.
Tramitação acelerada
A mensagem governamental será apreciada em conjunto com as contas anuais do Estado, encaminhadas em ofício do Tribunal de Contas e já avaliadas favoravelmente pela Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária. Como a matéria tramita em regime de urgência, líderes da base calculam que a deliberação seja concluída em votação única ainda nesta sessão.
Nos bastidores, parlamentares da oposição questionam a pressa do Executivo e cobram diálogo. Aliados de Mendes, porém, sustentam que o índice de 4,26% está sustentado pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pelo espaço orçamentário previsto para 2026.
Até o início da tarde desta terça-feira (13), servidores de diversas secretarias confirmaram presença em ato no saguão da ALMT para acompanhar a votação. A categoria promete manter mobilização enquanto durar o impasse sobre a RGA e o passivo reivindicado.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Matogrossoaovivo
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