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Caixa muda sede do Rio e setor cultural teme perder salas de exibição

A Caixa Econômica Federal anunciou ontem (24) mudança da sede no Rio de Janeiro para a Cinelândia, no centro da cidade do Rio de Janeiro. A instituição transferirá as unidades instaladas no Edifício Almirante Barroso, também no centro da capital até junho de 2019. Segundo o banco, a mudança permitirá uma economia de R$ 2,6 milhões mensais com aluguel. Porém, o meio cultural do Rio de Janeiro teme a redução de espaços para mostras.

A sede atual abriga um teatro de arena, dois cinemas, quatro galerias de arte, além de salas de oficinas e ensaios. O último edital do banco não prevê financiamento para atividades culturais no local no período de março de 2019 até fevereiro de 2020, oito meses depois que a mudança terá terminado. A exceção será o Teatro Caixa Nelson Rodrigues, que continuará funcionando por estar instalado em outro endereço. A sede será transferida para o Edifício Passeio Corporate, na Rua das Marrecas.

A transferência de endereço já era esperada, uma vez que o banco vinha negociando uma redução no aluguel do Edifício Almirante Barroso sem sucesso. Outro prédio, na zona portuária, chegou a ser avaliado pela Caixa, que é gestora de cerca de R$ 6 milhões em títulos imobiliários na região. A prefeitura defendeu a mudança do banco e dos 2 mil funcionários para o porto, com objetivo de movimentar a economia local. A decisão, no entanto, foi por uma sede próxima à atual.

Em comunicado à imprensa, o banco alegou que, além da economia, o novo endereço oferece melhores condições de trabalho, mas não especificou detalhes.

Na reunião com os empregados no Rio, o vice-presidente do banco, Marcelo Campos Prata, reforçou ontem (24) que atendeu ao pedido dos funcionários, que chegaram a fazer um abaixo-assinado relatando medo e insegurança na região portuária. Já em relação aos espaços culturais, o vice-presidente confirmou apenas que o teatro de arena não caberá no Passeio Corporate, segundo relato do presidente da Associação do Pessoal da Caixa Econômica, Paulo Cesar Matileti.

Desconfiança

Para tentar acalmar o setor cultural, o comunicado da Caixa afirma que o novo endereço “terá um espaço central e de destaque destinado à programação da Caixa Cultural Rio de Janeiro com galeria, cinema e sala do programa educativo”. Produtores, artistas e técnicos do meio, entretanto, veem o comunicado com desconfiança e alegam falta de transparência.

“Até agora, se eles têm um novo espaço e não disseram exatamente o que esse novo espaço tem, isso é uma falha. Do meu ponto de vista, eles poderiam esclarecer. A gente quer saber”, cobrou o produtor Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida, que atua no setor. “A Caixa Cultural, na Almirante Barroso, tinha duas salas de cinema, tinha um teatro de arena, várias galerias, então, reduzir tudo a um teatro apenas é uma perda gigantesca para a arte” completa.

Segundo Paulo Ricardo, a economia que a instituição fará com a mudança da sede levará também à redução da infraestrutura dedicada à cultura, que contava todos os anos com os editais da Caixa no Rio, um dos principais no país. “A prefeitura não tem mais, o estado, também não, então, a cultura está minguando. Percebemos, mais uma vez, que a cultura é a primeira área a ser cortada quando querem fazer economia”.

Referência

Os espaços culturais da sede atual eram referência para mostras e exibições de artes visuais, cinema e teatro. O prédio recebeu várias edições do World Press Photo, com as principais imagens fotojornalísticas do ano, obras de Portinari, da mexicana Frida Kahlo – com ingressos esgotados –, além de mostras de cinema cubano, africano e russo, por exemplo.

As atividades movimentaram o setor cultural e também a economia, acrescenta Delcio Marinho, diretor Cultural do Sindicato de Artistas e Técnicos do Estado do Rio. Ele também critica redução das galerias da Caixa Econômica e cobra políticas culturais.

“A infraestrutura do novo prédio não pode ser a mesma do antigo, dá para ver”, observa. O sindicato também fica na Cinelândia, a menos de 500 metros da nova sede do banco. Para ele, a mudança ocorre quando a sociedade defende ampliação desses espaços.

Delcio Marinho frisou que a cultura é “uma vocação da cidade do Rio” e pilar da economia fluminense. “Um artista não trabalha em uma sala de escritório, ele precisa desses espaços. Lembrando que nós garantimos renda para artistas e técnicos, mas também para o bar e o restaurante ao lado, que vendem mais, para o táxi, que locomove o público. É toda uma indústria”, afirma. Nos últimos anos, foram fechados no Rio a casa de espetáculo Canecão, o Teatro Glória e o Teatro Villa-Lobos, na zona sul.

Procurada pela Agência Brasil, a Caixa não comentou o fechamento das salas até a publicação desta reportagem.

Fonte: Agência Brasil

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FONTE: FOLHA DO ESTADO
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