O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) informou nesta quarta-feira (21) que prepara o envio de duas brigadas compostas por jovens militantes. Um dos grupos seguirá para a Venezuela e o outro para a Faixa de Gaza, com a justificativa de auxiliar nos trabalhos de reconstrução local e promover intercâmbio de práticas agroecológicas.
A iniciativa foi detalhada por Simone Magalhães, integrante do Setor Internacionalista do MST, durante entrevista concedida à televisão estatal venezuelana. Segundo a dirigente, o objetivo central é compartilhar a experiência acumulada pelo movimento brasileiro em produção de alimentos livres de agrotóxicos, formação técnica de agricultores e desenvolvimento de pequenas agroindústrias.
“O Movimento Sem Terra do Brasil vai enviar uma brigada grande de jovens para continuar esse processo, tanto produtivo quanto formativo. Temos muito a intercambiar: nossa produção de alimentos agroecológicos e saudáveis, além da experiência em agroindústria”, afirmou Magalhães, sem indicar número exato de participantes ou cronograma de partida.
Foco na Venezuela
De acordo com a representante, o grupo destinado à Venezuela deverá atuar em comunidades rurais que buscam retomar atividades agrícolas em meio à transição política do país. A mobilização ocorre após a prisão do então presidente Nicolás Maduro, em operação coordenada por forças norte-americanas no início de janeiro de 2026. Com o vazio de poder, o Tribunal Supremo de Justiça nomeou a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina para garantir a continuidade institucional.
Rodríguez assumiu o cargo com apoio das Forças Armadas e conduz negociações com representantes dos Estados Unidos para estabilizar a governança e discutir temas de segurança regional. Nesse contexto, o MST pretende contribuir com práticas de produção sustentável e atividades de formação profissional, ainda sem data definida para início dos trabalhos.
Frente voltada à Faixa de Gaza
O segundo contingente anunciado deverá atuar na Faixa de Gaza, território que busca se reconstruir depois do cessar-fogo firmado no ano anterior entre Israel e Hamas. O pacto prevê fases destinadas à recuperação de infraestrutura civil, mas a implementação enfrenta obstáculos políticos e logísticos.
Simone Magalhães explicou que o MST quer auxiliar “no fortalecimento dos camponeses do enclave palestino”, fornecendo apoio técnico em agricultura familiar e agroecologia. Assim como no caso venezuelano, não foram divulgados detalhes sobre a data de embarque, quantidade de voluntários ou duração da missão.
Questionado por veículos de imprensa brasileiros, o MST reafirmou que as duas brigadas terão caráter solidário e formativo, seguindo o histórico de missões internacionais realizadas pelo movimento em países da América Latina, África e Ásia. A organização também informou que eventuais custos de deslocamento e permanência serão cobertos por fundos próprios e parcerias com entidades estrangeiras alinhadas à agricultura popular.
Até o momento, não há confirmação de acordos oficiais com governos locais ou organizações internacionais para viabilizar a entrada dos voluntários nos respectivos territórios. Contudo, a direção do MST afirma que mantém diálogo aberto com autoridades venezuelanas e palestinas para cumprir requisitos legais e sanitários.
Representantes diplomáticos do Brasil não comentaram a iniciativa. O Ministério das Relações Exteriores tem reiterado, em comunicados recentes, que grupos civis brasileiros que atuam no exterior devem obedecer às normas dos países anfitriões e informar suas atividades ao Itamaraty quando necessário.
Com a preparação das brigadas ainda em estágio preliminar, o MST não descarta ajustes nos planos conforme a evolução da conjuntura política na Venezuela e a dinâmica humanitária em Gaza. Novas informações devem ser anunciadas à medida que o cronograma seja definido.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
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