A delegada Judá Maali, titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher em Cuiabá, advertiu que uma eventual audiência pública com a mulher que acusa o ex-secretário municipal de Trabalho, William Campos Leite, de assédio sexual pode expô-la novamente e inibir outras vítimas. O alerta foi feito durante reunião com vereadoras da capital na tarde de 24 de fevereiro.
O encontro ocorreu na sede da Delegacia da Mulher e contou com a presença das vereadoras Dra. Mara, Michelly Alencar e Maria Avalone, integrantes de uma comissão especial criada pela Câmara Municipal para acompanhar o caso. A presidente do Legislativo, Paula Calil, também participou.
Segundo relataram as parlamentares, Maali reforçou que a investigação deve permanecer no âmbito técnico da Polícia Civil, sob sigilo, com escuta especializada e coleta de provas. A delegada afirmou que “dependendo do formato, uma oitiva aberta, gravada e transmitida pode constranger e revitimizar a denunciante”.
Nos últimos dias, parte dos vereadores passou a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Em plenário, o vereador Daniel Monteiro chegou a declarar que a própria vítima estaria disposta a depor na Câmara. O grupo de vereadoras protocolou requerimento para ter acesso aos atos da investigação, documento que, de acordo com a delegada, já está sendo analisado.
Maali evitou comentar o mérito da abertura de CPI: “Não cabe à Polícia Civil dizer se deve haver ou não comissão. Estamos à disposição para investigar dentro da nossa atribuição”, frisou.
Especialistas em enfrentamento à violência contra a mulher consultados pela reportagem alertam que, mesmo quando a vítima aceita falar, a pressão de um ambiente político pode gerar constrangimento, exposição excessiva da vida privada e repercussões nas redes sociais, fatores que tendem a desencorajar novas denúncias.
Enquanto o Legislativo discute a instalação da CPI, o inquérito criminal segue em curso na Delegacia da Mulher. Até o fechamento deste texto, a defesa de William Campos Leite não havia se manifestado. O ex-secretário deixou o cargo no início de fevereiro, logo após a denúncia se tornar pública.
A comissão especial da Câmara afirma que pretende “garantir transparência e oferecer suporte à denunciante”. Já a Delegacia da Mulher mantém o posicionamento de que eventuais depoimentos devem ocorrer em ambiente protegido, conforme protocolos de atendimento à vítima previstos na legislação.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Reporter MT
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