Salvador – Levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado em 28 de maio, mostra que a Bahia possui mais pessoas recebendo o Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada no setor privado. O estado soma 2,46 milhões de beneficiários do programa federal contra 2,18 milhões de postos formais.
Números em perspectiva
A discrepância coloca a Bahia entre as 12 unidades federativas em que o número de inscritos no Bolsa Família supera o total de empregos formais. Todos os integrantes da lista estão nas regiões Norte e Nordeste:
Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amapá, Amazonas e Acre acompanham a Bahia nessa condição. Rio Grande do Norte e Roraima são as únicas exceções dessas regiões.
Evolução desde o início de 2023
Embora o saldo ainda favoreça o programa de transferência de renda, os dados do Caged indicam tendência de mudança desde janeiro de 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu o mandato. Desde então, a quantidade de trabalhadores registrados cresce em ritmo mais acelerado do que o de novos beneficiários, reduzindo gradualmente a diferença.
Comparativo regional
Segundo o Ministério do Trabalho, o Nordeste concentra o maior contingente de dependentes do Bolsa Família, reflexo de indicadores socioeconômicos historicamente inferiores à média nacional. Já o Norte figura na sequência, impulsionado por estados de menor densidade demográfica, porém com elevado índice de famílias de baixa renda.
Metodologia
O Caged considera apenas vínculos empregatícios formais no setor privado, sem incluir servidores públicos, trabalhadores autônomos ou informais. Já o Bolsa Família inclui famílias com renda per capita de até R$ 218, conforme critérios atualizados em 2023.
Impacto econômico
Especialistas do Ministério do Desenvolvimento Social destacam que o programa de transferência de renda exerce papel crucial de sustentação econômica em municípios de pequeno porte. Contudo, autoridades do Ministério do Trabalho afirmam que a geração de empregos formais permanece decisiva para reduzir a dependência de benefícios assistenciais no longo prazo.
No caso baiano, a economia depende fortemente dos setores de serviços, agropecuária e indústria de transformação. A criação líquida de vagas com carteira assinada nessas áreas tem sido determinante para diminuir a diferença entre beneficiários do Bolsa Família e empregados formais.
Nos próximos meses, a pasta do Trabalho pretende publicar relatórios mensais detalhando a convergência entre emprego e transferências de renda, a fim de orientar políticas de incentivo à formalização.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de No Centro do Poder
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