O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (29) que o espaço aéreo situado “acima e ao redor” da Venezuela deve ser considerado totalmente fechado. O comunicado foi publicado em sua plataforma Truth Social e dirigido a companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e de pessoas.
“Por favor, considerem O ESPAÇO AÉREO ACIMA E AO REDOR DA VENEZUELA COMO FECHADO EM SUA TOTALIDADE”, escreveu Trump, sem indicar por quanto tempo a restrição deve vigorar ou quais medidas serão aplicadas a quem descumprir a orientação.
Pressão militar na região
Desde o início de setembro, Washington reforçou a presença militar no Mar do Caribe com o envio de uma frota que inclui o maior porta-aviões do mundo. Segundo o governo norte-americano, a operação busca conter o tráfico de drogas proveniente da Venezuela. Caracas, entretanto, acusa os Estados Unidos de tentarem promover uma mudança de regime.
De acordo com dados divulgados pelos militares norte-americanos, pelo menos 83 pessoas morreram em mais de 20 ataques contra embarcações suspeitas de transportar entorpecentes, realizados no Caribe e no leste do Pacífico desde o início da mobilização. Até o momento, Washington não apresentou provas de que os alvos estivessem de fato envolvidos com o narcotráfico ou representassem ameaça direta ao território norte-americano.
Contato direto entre líderes
Na sexta-feira (28), o jornal The New York Times revelou que Trump e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, conversaram por telefone na semana anterior. Durante o diálogo, teria sido cogitada uma possível reunião em solo norte-americano, mas não há confirmação oficial de agenda.
A divulgação da ligação ocorreu um dia depois de Trump afirmar publicamente que ações para impedir o tráfico terrestre de drogas venezuelanas eram “iminentes”, declaração que elevou ainda mais a tensão diplomática entre os dois países.
Repercussões e próximos passos
Autoridades em Caracas ainda não se pronunciaram sobre o anúncio de fechamento do espaço aéreo. Do lado norte-americano, o Departamento de Defesa não detalhou eventuais estratégias de aplicação da medida, mas fontes militares indicam que aeronaves de vigilância continuam monitorando a região 24 horas por dia.
No passado, restrições semelhantes foram impostas a países considerados hostis aos interesses dos Estados Unidos, como forma de isolar economicamente governos e ampliar a pressão política. Analistas consultados por agências internacionais lembram que, sem evidências públicas sobre as supostas operações de tráfico, a iniciativa pode enfrentar questionamentos em foros multilaterais.
Até o momento, não há registros de voos comerciais cancelados em rotas que passam perto do território venezuelano, mas companhias internacionais avaliam rotas alternativas para evitar possíveis interceptações. Passageiros que planejavam conexões na região foram orientados a verificar atualizações diretamente com as empresas aéreas.
Com a declaração deste sábado, as relações entre Washington e Caracas entram em novo patamar de atrito, marcado por sanções econômicas, disputas retóricas e presença militar significativa no Caribe.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de No Centro do Poder
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