Em primeira transmissão, após deixar o país, senador afirma que decidiu viajar com a família após receber intimação sobre decisão judicial, critica o resultado das eleições, declara apoio a Rogério Marinho para a presidência do Senado e admite possibilidade de disputar novamente a Presidência da República antes de 2030.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez seu primeiro pronunciamento público após deixar o Brasil e afirmou que decidiu viajar para o exterior, acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas, para preservar sua liberdade de manifestação e continuar atuando politicamente.
Durante uma transmissão ao vivo, ele acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de perseguição política, criticou a atuação das instituições brasileiras e anunciou que pretende concentrar a mobilização de seus apoiadores no Congresso Nacional, especialmente no Senado Federal.
Na transmissão, Flávio relatou que a decisão de deixar o país foi tomada depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo ele, cumpre prisão domiciliar. O encontro ocorreu na segunda-feira, seguinte às eleições, quando o senador voltou a ter autorização para visitá-lo por 30 minutos, na condição de advogado.
De acordo com o relato, pouco antes de deixar a residência do ex-presidente, foi informado de que agentes da Polícia Federal estavam no local. Ao sair, recebeu uma intimação referente a uma decisão de Alexandre de Moraes, que, segundo afirmou, determinava a apreensão de seus passaportes e a proibição de deixar o território brasileiro.
Flávio disse que interpretou a medida como o início de uma perseguição e relatou que seu pai ficou emocionado ao tomar conhecimento da situação. Segundo o senador, Jair Bolsonaro pediu para conversar com ele reservadamente e demonstrou preocupação com os desdobramentos da decisão.
“Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?”, teria dito o ex-presidente, conforme a versão apresentada por Flávio durante a live.
O senador afirmou que, depois da conversa, voltou para casa, discutiu a situação com a esposa e decidiu viajar com a família. Ele negou que outras pessoas tenham participado da decisão ou organizado sua saída do Brasil, pedindo aos apoiadores que não responsabilizassem integrantes do grupo político que o acompanhou durante a campanha.
Acusações contra Alexandre de Moraes e o Judiciário
Ao explicar os motivos de sua decisão, Flávio Bolsonaro afirmou que considera o Brasil um país sob um “regime de exceção”. Como argumento, citou o que classificou como restrições à liberdade de expressão de parlamentares e possíveis represálias contra políticos que manifestam opiniões contrárias às decisões de integrantes do Judiciário.
O senador também acusou o Supremo Tribunal Federal de atuar com interesses político-partidários e afirmou que as instituições estariam aparelhadas. Na avaliação dele, pessoas que deveriam ser investigadas estariam protegidas pelo próprio sistema judicial.
Durante o pronunciamento, Flávio questionou ainda a atuação da Procuradoria-Geral da República em relação a pedidos de investigação envolvendo a esposa de Alexandre de Moraes. Ele afirmou que a Procuradoria teria impedido, em poucas horas, uma iniciativa relacionada à quebra de sigilo da mulher do ministro.
As declarações foram apresentadas pelo senador como exemplos do que considera falta de independência e equilíbrio na atuação das instituições. Entretanto, durante a transmissão, ele não apresentou documentos ou provas que demonstrassem as acusações generalizadas de aparelhamento ou atuação político-partidária do Judiciário.
Senador contesta investigação e cita documento do Santander
Outro ponto abordado por Flávio foi uma investigação que, segundo ele, estaria relacionada a supostas contas bancárias e à sua ligação com uma empresa.
O senador afirmou que Alexandre de Moraes teria tomado uma decisão poucas horas depois da divulgação do resultado eleitoral e criticou o fato de a medida ter sido adotada sem prévia manifestação da Procuradoria da República.
Flávio também declarou que o Banco Santander teria encaminhado um ofício no próprio domingo das eleições, informando que ele não possuía relação com a empresa mencionada na investigação e que nunca teria mantido conta bancária vinculada a ela.
Na transmissão, ele contestou o que chamou de uma história envolvendo uma senha bancária e comparou o caso à situação de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, que, segundo Flávio, estaria preso injustamente.
O senador afirmou que decidiu deixar o país porque considerou que poderia ser alvo de medidas semelhantes. As informações sobre o conteúdo do documento bancário e os fundamentos da decisão judicial, porém, não foram apresentadas integralmente durante a live.
Críticas ao resultado eleitoral
Flávio Bolsonaro também voltou a questionar o resultado das eleições. Sem apresentar dados ou documentos que comprovassem suas afirmações durante a transmissão, disse que alguns acontecimentos seriam “matematicamente impossíveis” e utilizou a expressão “gols de mão” para se referir às irregularidades cometidas pelo adversário durante o processo eleitoral.
Ele afirmou que pretende apresentar posteriormente uma explicação mais aprofundada sobre suas críticas à disputa eleitoral e à atuação da Justiça Eleitoral.
O senador comparou ainda a situação à de governadores que, segundo ele, teriam sido cassados por abuso de poder político e econômico em circunstâncias que considera menos graves. Também afirmou ter dificuldade em acreditar que as instituições responsáveis pela fiscalização eleitoral possam adotar medidas efetivas para garantir o cumprimento da legislação.
As acusações de irregularidades eleitorais foram feitas durante o pronunciamento, mas não vieram acompanhadas de provas que demonstrassem fraude ou alteração ilegal do resultado.
Rogério Marinho é apontado como nome para presidir o Senado
Na parte política do pronunciamento, Flávio Bolsonaro convocou deputados, senadores e apoiadores a concentrarem esforços no Congresso Nacional. Ele afirmou que o Senado Federal será o principal espaço de resistência ao governo do presidente da República.
O senador declarou apoio ao nome de Rogério Marinho para a presidência do Senado e pediu que os eleitores cobrem dos parlamentares em quem votaram para que apoiem a candidatura do senador.
Segundo Flávio, a eleição para o comando da Casa será fundamental para criar obstáculos a medidas do governo que, na avaliação dele, poderão provocar problemas econômicos e institucionais no país.
Ele também criticou as possíveis negociações políticas envolvendo a situação de Jair Bolsonaro, classificando como “nojentas” as tentativas de utilizar a liberdade do ex-presidente como moeda de troca.
Flávio prevê dificuldades econômicas e desgaste do governo
O senador dedicou parte da transmissão a críticas à política econômica do governo. Ele afirmou que o Brasil enfrentará uma crise econômica e previu que o cenário poderá ser ainda mais grave do que o registrado durante a crise do governo Dilma Rousseff, entre 2014 e 2015.
Na avaliação de Flávio, o desempenho da economia será um dos principais fatores de desgaste da atual administração e poderá provocar uma crise política antes do que muitos imaginam.
Ele argumentou que, caso o presidente cumpra as promessas feitas durante a campanha, poderá adotar medidas que, segundo sua avaliação, agravariam a situação econômica. Por outro lado, afirmou que o governo não acredita nas medidas que considera necessárias para resolver os problemas do país.
As previsões foram apresentadas como avaliação política e econômica do senador, sem que ele detalhasse, durante a transmissão, indicadores ou projeções que sustentassem o cenário anunciado.
Possibilidade de disputar novamente a Presidência
Um dos momentos de maior repercussão política ocorreu quando Flávio Bolsonaro mencionou a possibilidade de voltar a disputar a Presidência da República.
Ao agradecer o apoio recebido nas eleições, afirmou que os votos obtidos representam uma responsabilidade política e demonstram a força de seu grupo eleitoral.
Em seguida, declarou que estaria disposto a disputar novamente o cargo de presidente caso seja necessário. Flávio fez questão de destacar que não estava falando necessariamente de 2030, mas de uma possibilidade anterior a esse ano.
A declaração reforça sua intenção de manter protagonismo nacional e indica que o senador pretende continuar ocupando espaço na oposição ao governo, mesmo estando fora do Brasil.
Senador diz que continuará atuando politicamente do exterior
Ao encerrar a transmissão, Flávio afirmou que pretende retomar a atividade nas redes sociais e manter contato frequente com seus apoiadores. Disse que, apesar de estar fora do país, continuará exercendo a liderança política que atribui ao apoio recebido e à confiança do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”, declarou.
O senador também pediu que deputados e senadores continuem se manifestando sem medo e que seus apoiadores permaneçam mobilizados. Segundo ele, a unidade do grupo será fundamental para enfrentar o atual cenário político.
Flávio encerrou a live agradecendo às pessoas que acompanharam a transmissão, pedindo orações e reafirmando que pretende continuar trabalhando para defender o projeto político de seu grupo.
O pronunciamento marca uma nova etapa da atuação política do senador, que busca manter influência sobre a oposição, mobilizar sua base no Congresso e preservar a possibilidade de disputar novamente a Presidência da República.
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