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Um pouco do campo para a juventude urbana

Quase mil alunos de instituições públicas de ensino estiveram no estande da Embrapa durante a Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins, Agrotins. Mais do que oferecer informações sobre  agropecuária, a visitação é uma oportunidade para que os estudantes possam ver na prática conceitos aprendidos em sala de aula – como a importância da sustentabilidade, por exemplo. Não por acaso, o primeiro tema a ser apresentado foi  o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que pressupõe o convívio harmonioso de agricultura, a pecuária e a árvores plantadas, tudo numa mesma área.

 

Mas como atrair a atenção desses adolescentes urbanos, tão ligados em tecnologia? A saída foi apresentar um aplicativo da Embrapa de realidade aumentada, a “Maquete Virtual de ILPF em RA”, disponível para sistemas IOS e Android. “O app mostra por meio da realidade aumentada todas as fases de um sistema de integração lavoura-pecuária-floresta, desde o início, em uma área degradada, até sua recuperação produtiva”, explica o pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Ernandes Barboza Belchior. Segundo ele, é possível conferir os benefícios do sistema produtivo; perceber as mudanças no perfil do solo e no comportamento das culturas; a dinâmica da água e dos nutrientes, além de gases causadores do efeito estufa. Interativo, o aplicativo permite ao usuário escolher o tipo de integração que deseja, com ou sem determinados componentes no sistema.

 

A tecnologia, claro, caiu no gosto dos estudantes. “Achei muito interessante esse aplicativo, dá para ver as coisas se movimentando, é bem legal”, elogia Ana Clara Rodrigues, de 14 anos, do 9º ano. “Muito bacana, quando chegar em casa vou baixar”, afirma Caio Ferreira, da mesma idade, que ainda não sabe se vai ser agrônomo quando crescer.

 

Peixes chamam atenção – Outro assunto apresentado no estande que chamou atenção da garotada foi a piscicultura. Em frente a um tanque construído em lona abrigando filhotes de pirarucu, o pesquisador Lucas Simon Torati começou perguntando o que era aquicultura.

 

Silêncio na plateia.

Mas na sequência, quando ele perguntou quais as espécies típicas da região, os alunos falaram com desenvoltura: “pirarucu”, “tambaqui”, “caranha”. Na sequência, o técnico Amarildo Martins da Silva deu uma aula sobre sisteminha da Embrapa – tecnologia de produção integrada de alimentos que consiste num rodízio de produção que envolve o cultivo de frutas, hortaliças, aves, criação de pequenos animais e peixes, com a recirculação de nutrientes a partir da piscicultura.

 

“Nossa ideia é levar para dentro da escola como são produzidos os alimentos, valorizando a agricultura familiar como parte da educação ambiental”, explica Mariana Borges, engenheira ambiental e coordenadora do projeto Roça na Escola, da Secretaria de Educação.

 

Com aulas sobre agroecologia,  os alunos têm a oportunidade de plantar e consumir o que foi gerado nas hortas orgânicas, presentes em 21 escolas de todo o município. “Normalmente os estudantes acham que a comida vem do supermercado. Com isso, muitas vezes eles desperdiçam espaços como o quintal da sua casa, onde poderiam estar produzindo alimentos para consumo próprio e de sua família”, destaca Mariana. A aluna Hanna Ariely, de 13 anos, concorda. “Eu não sabia nada de piscicultura e essa parte foi a que mais gostei”, afirma, complementando que até então não conhecia a Embrapa.

 

Yan Pereira Sousa Leão, de 15 anos, aluno do 9º ano da Escola Municipal Antonio Carlos Jobim, também vai carregar boas lembranças do evento. “Foi muito massa aprender mais sobre sustentabilidade. Ver os peixes, os vários cultivos… é uma realidade totalmente nova para mim”.

 

No total, cerca de 2 mil pessoas  visitaram  o estande da Embrapa na Agrotins. Dessas, aproximadamente metade  foram de produtores rurais.  Esse ano a empresa apresentou cultivares de arroz, algodão, amendoim, gergelim e de feijão, produção de algodão, adubação do milho safrinha consorciado e sisteminha Embrapa. Na parte da pecuária, foram demonstrados manejo de pastagens, ILPF e novas cultivares de capim. Por fim, no caminho da piscicultura foram oferecidas informações sobre pirarucu, tambaqui, tilápia, despesca, equipamentos, ração, viveiros escavados e tanques-rede.

 



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FONTE: CENÁRIO MATO GROSSO
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