Organizadores de corridas de rua em todo o país passarão a arcar, a partir deste mês, com uma nova taxa que varia de R$ 750 a R$ 4.500 por prova. O governo afirma que o encargo recai exclusivamente sobre as empresas responsáveis pelos eventos, sem cobrança direta aos atletas inscritos.
Segundo o Executivo, a medida busca padronizar exigências de segurança, logística e controle de vias públicas. O valor será definido de acordo com o porte da corrida, levando em conta número de participantes, extensão do percurso e estrutura necessária para o fechamento de ruas.
Possíveis reflexos no valor da inscrição
Entidades do setor temem que o novo custo seja repassado ao público. Promotores de provas populares alertam para a chance de aumento no preço das inscrições, hoje variando entre R$ 60 e R$ 180 em competições de 5 km a 10 km.
Com margens apertadas, empresas de pequeno e médio porte preveem dificuldade para absorver a despesa adicional. “Para eventos com menos de mil corredores, a taxa corresponde a uma fatia significativa do orçamento”, afirma um representante de associação de organizadores ouvido pela reportagem.
Redução no calendário esportivo
A cobrança também pode levar ao cancelamento de corridas previstas para o segundo semestre, principalmente em cidades de médio porte que contam com menor patrocínio. Municípios do interior, onde o calendário depende da arrecadação local e de parcerias com academias, sinalizam que podem rever a realização de competições já autorizadas.
Estados que recebem etapas de circuitos nacionais avaliam se o novo gasto influenciará na manutenção das provas. Alguns organizadores estudam alternativas, como a busca de novos patrocinadores ou o enxugamento de serviços ofertados aos corredores, a exemplo da redução de kits e da diminuição de postos de hidratação.
Debate sobre acesso ao esporte
Especialistas em políticas públicas veem na medida um possível obstáculo à prática esportiva. A principal preocupação é que o aumento de custos transforme as corridas de rua, modalidade de grande adesão popular, em atividade menos acessível.
Criada sem audiência pública específica, a regulamentação gerou críticas de atletas amadores e de gestores esportivos que apontam falta de diálogo com o setor. Já o governo sustenta que a cobrança é indispensável para garantir organização adequada, reduzir riscos de acidentes e diminuir impactos no trânsito.
Por outro lado, países que sediam grandes circuitos internacionais têm adotado incentivos fiscais e subsídios para ampliar o número de corridas e incentivar hábitos saudáveis. Organizações brasileiras argumentam que, sem política semelhante, o mercado nacional pode perder espaço para destinos estrangeiros com taxas menores e maior apoio institucional.
Com a norma já em vigor, entidades esportivas aguardam novas reuniões com representantes do governo para discutir eventuais ajustes no valor ou na forma de cálculo da cobrança. Até lá, promotores de eventos revisam orçamentos e corredores acompanham com atenção a possível elevação dos preços de inscrição.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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