Um gesto simbólico pôs em evidência, nesta semana, a situação dos presos políticos na Venezuela. Durante sessão ordinária da Assembleia Nacional, um deputado da oposição ergueu uma bandeira em defesa dos detidos por motivos políticos e dirigiu um discurso direto ao plenário. “Estar aqui também é resistir”, declarou o parlamentar, reforçando a intenção de permanecer nas instituições mesmo sob forte repressão do governo de Nicolás Maduro.
O ato aconteceu no recinto legislativo em Caracas, diante de parlamentares chavistas e oposicionistas. Ao levantar o símbolo, o congressista buscou chamar atenção para denúncias frequentes de perseguição, prisões arbitrárias e violações de direitos humanos registradas por organizações internacionais. O discurso, em tom de desafio, destacou que a simples presença da oposição no Parlamento representa forma de resistência diante do que classificou como clima de intimidação política.
No pronunciamento, o deputado citou casos de ativistas, jornalistas e líderes partidários detidos sem devido processo legal. Segundo ele, manter o tema na agenda pública é essencial para pressionar o regime a libertar os encarcerados e restabelecer garantias democráticas. “Cada cadeira vazia nesta Casa lembra alguém que não pode falar”, afirmou, olhando para as galerias quase vazias.
Parlamentares ligados ao governo não se manifestaram durante o protesto. A presidência da Assembleia limitou-se a prosseguir com a pauta, mas a cena foi registrada por fotógrafos e repercutiu em redes sociais de políticos venezuelanos no exílio. Usuários compartilharam o vídeo com a hashtag #LibertadParaLosPresosPolíticos, que voltou a figurar entre os assuntos mais comentados no país.
Entidades como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch vêm apontando o aumento de prisões por motivação política na Venezuela desde 2014. Relatórios recentes mencionam dificuldades de acesso a advogados, retardos em audiências e denúncias de tortura em centros de detenção. O governo Maduro nega irregularidades e afirma que opositores detidos respondem por delitos comuns ou conspiratórios.
Apesar das controvérsias, a bandeira levantada no plenário renovou o debate sobre a permanência da oposição na Assembleia Nacional. Setores mais radicais defendem o boicote às instituições controladas pelo chavismo, enquanto grupos moderados consideram indispensável manter representação para denunciar abusos e negociar eventuais saídas eleitorais.
Ao final da sessão, o deputado reiterou que continuará usando o espaço legislativo para cobrar a liberação dos presos políticos e exigir respeito a tratados internacionais de direitos humanos assinados pela Venezuela. “Cada minuto aqui dentro é uma forma de dizer que não desistimos”, concluiu.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google News
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