O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ocupar mais espaço que o colega Alexandre de Moraes no debate de parlamentares de direita após a divulgação de reportagens envolvendo o Banco Master. Um levantamento da Gazeta do Povo examinou publicações no X (antigo Twitter) feitas por seis deputados federais e dois senadores e constatou que, neste início de 2026, Toffoli tornou-se o principal alvo de menções negativas.
Levantamento nas redes sociais
A pesquisa considerou postagens realizadas entre 15 de outubro de 2025 e 11 de fevereiro de 2026. Nesse intervalo, Moraes foi citado 294 vezes, ante 213 referências a Toffoli. Quando avaliados apenas os conteúdos publicados em 2026, o cenário se inverte: Toffoli apareceu em 180 postagens, enquanto Moraes surge em 105.
Foram analisados os perfis dos senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF), além dos deputados Carlos Jordy (PL-RJ), Caroline de Toni (PL-SC), André Fernandes (PL-CE), Mario Frias (PL-SP), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Marcel van Hattem (Novo-RS).
O senador Eduardo Girão lidera o volume total de interações ao somar 140 menções a Toffoli e 114 a Moraes, contando repostagens. Entre os tuítes originais, Carlos Jordy foi o mais ativo: 49 referências a Moraes e 33 a Toffoli.
Picos de interesse no Google
Os dados do Google Trends acompanham a virada observada nas redes sociais. A partir de janeiro de 2026, as buscas por “Dias Toffoli” ultrapassaram as de “Alexandre de Moraes”, movimento atribuído à repercussão sobre supostos vínculos de Toffoli com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Moraes teve o ápice de procura no fim de julho e início de agosto de 2025, quando foi alvo de sanções do governo dos Estados Unidos sob a Lei Magnitsky. Desde então, o interesse pelo ministro caiu gradualmente.
Pressão política
Em paralelo ao crescimento de citações, Toffoli passou a figurar em mais de 20 pedidos de impeachment protocolados no Senado nas últimas semanas. As convocações para os atos marcados para 1.º de março, capitaneados pelo deputado Nikolas Ferreira, incluem o slogan “fora, Toffoli” ao lado de críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Moraes.
Ainda assim, Moraes continua a ser citado em reportagens que apontam possíveis interferências no caso Master, sobretudo pelo contrato de até R$ 129 milhões firmado entre o banco e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Informações publicadas pelo jornal O Globo sugerem que Moraes manteve diálogo com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a crise da instituição financeira.
O levantamento indica que a concentração de queixas contra Toffoli, motivada pelas suspeitas envolvendo o Banco Master, mudou temporariamente o foco de parlamentares e de parte do eleitorado conservador, que antes miravam majoritariamente Alexandre de Moraes.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
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