O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, declarou nesta segunda-feira (30) que a população iraniana tem exercido forte pressão sobre o governo para que não aceite as propostas de negociação dos Estados Unidos (EUA). Segundo Ghadiri, essa suposta via de diálogo entre os dois países já se transformou em uma “piada mundial”.
Críticas às Negociações Americanas
Em entrevista exclusiva concedida à Agência Brasil, o diplomata iraniano afirmou que o presidente norte-americano, Donald Trump, estaria dialogando “consigo mesmo”. A declaração de Ghadiri contrasta com as recentes afirmações de Trump, que reiterou a existência de negociações com um alegado “novo regime” no Irã. O presidente dos EUA também renovou a ameaça de atacar infraestruturas de energia elétrica e de petróleo iranianas, caso Teerã não reabra o Estreito de Ormuz.
Cenário Político Iraniano e Pressão Popular
A pressão popular no Irã ocorre em um cenário de transição política. Após o falecimento do líder supremo Ali Khamenei em fevereiro, seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, ascendeu ao posto mais alto da estrutura de poder iraniana. Essa estrutura abrange o Executivo, o Parlamento e o Judiciário, além do Conselho dos Guardiões, composto por seis indicados pelo próprio Aiatolá Khamenei e seis pelo Parlamento.
Abdollah Nekounam Ghadiri também questionou a classificação de grupos como o Hezbollah, no Líbano, e os Houthis, no Iêmen, como “proxies” do Irã. O termo é empregado para descrever entidades que agem em nome de um Estado ou outra organização.
Perspectiva Iraniana Sobre o Conflito
O embaixador abordou a perspectiva iraniana sobre os conflitos regionais, citando duas situações em que o Irã foi atacado durante processos de negociação. Uma delas teria ocorrido em junho de 2025, no curso de conversações com os EUA, resultando na “guerra de 12 dias”. A segunda vez, mais recente, teria acontecido a dois dias da finalização de negociações detalhadas, mediadas por Omã.
Para Ghadiri, esses eventos demonstram que “o outro lado” busca um ciclo contínuo de “guerra, cessar-fogo, negociação e novamente guerra”, uma lógica que o Irã se recusa a aceitar. Ele ressaltou que nenhum país independente toleraria tal padrão. Diante das agressões, o Irã adotou a determinação de retaliar para desencorajar futuras ações criminosas. O embaixador enfatizou que a opinião pública iraniana desempenha um papel crucial ao pressionar o governo a não ser enganado por propostas de negociação que considera superficiais.
Impacto dos Ataques e Princípios Militares
Questionado sobre a capacidade dos ataques iranianos em causar danos à estrutura militar de Israel, o diplomata afirmou que, de acordo com as informações iranianas, o “regime sionista” sofreu prejuízos significativos. Ele destacou que as ações militares do Irã são calculadas e orientadas por padrões éticos e religiosos. Ghadiri comparou a situação com a Guerra Irã-Iraque de oito anos, na qual, apesar do uso de armas químicas por Saddam Hussein (apoiado pelo Ocidente e parte do Oriente), o então líder supremo iraniano proibiu retaliações com armamentos químicos ou ataques a civis e ao meio ambiente.
O embaixador descreveu os inimigos do Irã como “sortudos” por suas respostas serem controladas, mas garantiu que são poderosas e eficazes. Ele alegou que tais resultados são frequentemente censurados e não divulgados pelos adversários.
Ataques a Universidades Iranianas
Por fim, Ghadiri comentou sobre os ataques de EUA e Israel a universidades iranianas, sob a alegação de que seriam usadas para atividades de defesa. O embaixador refutou essa tese, lembrando que o Irã fundou a Universidade Jodhichapur há cerca de 1.800 a 2.000 anos, uma das primeiras instituições a se aproximar do formato universitário moderno. Ele salientou a antiguidade da instituição, que teria uma idade quatro vezes superior à soma da existência de algumas nações ocidentais.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Agência Brasil
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