Brasília – A Polícia Federal indiciou a influenciadora Nine Borges por discriminação motivada por identidade de gênero, crime equiparado ao racismo. A investigação foi aberta a pedido do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH) após publicações nas quais a criadora de conteúdo questionou repasses do governo federal a entidades LGBTQIA+.
Em vídeo de aproximadamente dois minutos divulgado nas redes sociais, Nine afirmou ter consultado o Portal da Transparência e constatado que cerca de R$ 2,5 milhões foram destinados a uma organização LGBT. Segundo ela, o endereço da entidade é o mesmo de um grupo presidido anteriormente por Symmy Larrat, atual secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+. Para a influenciadora, a coincidência sugere conflito de interesses dentro da estrutura governamental.
Com base no conteúdo, o MDH protocolou representação junto à PF pedindo apuração por calúnia, difamação e transfobia. O delegado responsável descartou, por ora, os crimes de honra, argumentando que seria necessário comprovar falsidade das alegações. Contudo, manteve a investigação por discriminação, resultando no indiciamento.
Críticas a evento da ONU ampliam inquérito
Além do vídeo sobre verbas públicas, capturas de tela de stories publicados por Nine também foram anexadas ao processo. Nas postagens, ela criticou a participação de Symmy Larrat na comitiva do Ministério das Mulheres que esteve em Genebra para a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), em maio de 2024.
No material, a influenciadora ressaltou que Larrat se descreve como “travesti, militante e puta” em sua biografia no Instagram e utilizou pronomes masculinos para se referir à secretária. Para a PF, o teor dessas publicações reforça indícios de transfobia.
Defesa alega cerceamento de debate
Em nota, Nine Borges declarou que o inquérito representa tentativa de silenciar vozes críticas. Doutora em Educação pela UFRJ e mestre em Ciências Sociais pela UERJ, ela afirma basear suas opiniões em autores como Thomas Sowell e sustenta que questionar políticas públicas faz parte do exercício democrático. “A ciência exige contraditório. Estou apresentando dados para reflexão”, disse.
Ela também acusa o Ministério das Mulheres de “priorizar pautas do transativismo” e de não ouvir demandas femininas. “Mais uma vez, uma mulher é alvo de perseguição por suas ideias”, declarou.
Ministério nega perseguição
O MDH afirmou, por meio de nota, que a representação seguiu “estritamente os trâmites legais” e não configura ação política. Segundo a pasta, as declarações de Nine podem, em tese, caracterizar injúria racial por equiparação à LGBTQIAfobia, além de possíveis crimes contra a honra de agente público, motivo pelo qual solicitou a investigação.
Com o indiciamento concluído, o inquérito será enviado ao Ministério Público Federal, que decidirá se oferece denúncia ou arquiva o caso.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
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