A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado agendou para 24 de fevereiro a votação de um requerimento que pretende convocar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para depor sobre supostas ligações com o escândalo envolvendo o Banco Master. O pedido inclui, ainda, a possibilidade de convocação dos irmãos do magistrado, ex-sócios da Maridt Participações.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), explicou que a pauta foi definida pelo presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT-ES). Segundo Vieira, há indícios de transações financeiras que justificam a oitiva formal do ministro e de seus familiares.
Quatro frentes de investigação
Em entrevista à GloboNews na última sexta-feira (13), Vieira detalhou que a CPI trabalha em quatro eixos interligados: emendas parlamentares, fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a operação Carbono Oculto — que expôs a atuação da facção PCC no mercado de combustíveis — e movimentações suspeitas envolvendo o Banco Master.
“Quando você olha mais de perto, percebe que tudo está entrelaçado em duas pontas: na lavagem de dinheiro, onde aparecem Master e Reag, e na infiltração política e judicial do crime organizado”, afirmou o relator.
Pressões e obstáculos
O senador relatou pressões “terríveis” sobre a Polícia Federal e citou dificuldades impostas por personagens influentes nos três Poderes, o que, segundo ele, cria barreiras institucionais ao avanço das apurações. Vieira classificou como “duríssima” a reação de setores do Judiciário, lembrando nota assinada por dez ministros do STF que contestou críticas ao tribunal e defendeu Toffoli.
Posicionamento do Supremo
Em comunicado oficial, o Supremo Tribunal Federal informou que a saída de Toffoli da relatoria do caso Banco Master ocorreu por iniciativa do próprio ministro, descartando a necessidade de arguição de suspeição. A Corte designou o ministro André Mendonça para assumir os processos relacionados.
No mesmo texto, os ministros reforçaram o apoio a Toffoli e afirmaram não existir impedimento ou suspeição que o afaste de outras matérias.
Próximos passos
Com a votação marcada para logo após o recesso carnavalesco, a CPI avalia ampliar o número de depoentes ligados ao Banco Master e a fundos de investimento associados ao pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Caso aprovados, os requerimentos serão encaminhados e as datas dos depoimentos definidas em reuniões subsequentes.
A CPI do Crime Organizado foi instalada em agosto do ano passado e tem prazo de funcionamento até abril, podendo ser prorrogada por mais 60 dias. O colegiado busca mapear ações de lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico de influência atribuídas a organizações criminosas e seus eventuais interlocutores na política e no Judiciário.
Parlamentares afirmam que a oitiva de Toffoli poderá esclarecer a extensão das operações financeiras investigadas e apontar responsabilidades. O STF, por sua vez, reforça que não há elementos que comprometam a imparcialidade do ministro.
Com a proximidade da votação, senadores negociam apoio interno para garantir quórum e aprovação do requerimento. Se aprovado, Toffoli será intimado a comparecer em data a ser escolhida pela comissão. Até o momento, o ministro não se pronunciou publicamente sobre a possibilidade de ser convocado.
O resultado da sessão do dia 24 poderá definir os rumos da investigação e impactar as relações entre o Legislativo e o Judiciário no decorrer dos trabalhos da CPI.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
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