O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou na última segunda-feira (23) que não há qualquer racha na legenda em torno da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto. A declaração foi dada a jornalistas após a participação do dirigente em um evento promovido pelo Grupo Esfera, em São Paulo.
Segundo Valdemar, as especulações sobre divisão interna decorrem, principalmente, da rotina da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente nacional do PL Mulher. “Ela faz a comida do Bolsonaro de manhã e leva na hora do almoço. Ninguém quer ver o marido e nem o pai na situação em que o Bolsonaro está”, comentou, referindo-se aos problemas de saúde do ex-chefe do Executivo. O dirigente ressaltou que, mesmo diante do desconforto momentâneo, tanto Michelle quanto o deputado federal mais votado em 2022, Nikolas Ferreira (PL-MG), estarão na campanha de Flávio.
Nas redes sociais, o senador evitou citar nomes e buscou amenizar o debate interno: “Tá todo mundo querendo vencer a discussão, mas o que precisamos é ganhar a eleição!”
Troca de farpas na bancada
O clima no partido se intensificou na sexta-feira (20), quando o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro reclamou publicamente da ausência de manifestações de apoio a Flávio por parte de Michelle e de Nikolas. Ele disse que ambos sofriam de “amnésia” e destacou: “Eu não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio. Ela compartilha o Nikolas a toda hora”.
Em resposta, Nikolas acusou Eduardo de priorizar ataques internos enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta detenção e problemas de saúde. O parlamentar mineiro afirmou que está concentrado em auxiliar o ex-mandatário e rechaçou a ideia de que haja uma disputa pessoal no grupo bolsonarista.
Valdemar pede foco na eleição
Diante das críticas trocadas, Valdemar minimizou o episódio e reforçou que a legenda seguirá unida em torno de Flávio Bolsonaro. “Nunca existiu racha”, insistiu, pontuando que eventuais tensões são naturais em partidos de grande porte. O dirigente disse ainda que pretende intensificar conversas com líderes estaduais para alinhar o discurso e dissipar ruídos.
O senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente, foi lançado como pré-candidato do PL no início do mês. A escolha teve o aval direto de Jair Bolsonaro, impedido de disputar eleições até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Nos bastidores, dirigentes da sigla consideram que o sobrenome Bolsonaro continua sendo o principal trunfo eleitoral do partido para 2026.
Até o momento, Flávio tenta construir uma plataforma que dialogue com a base conservadora e, ao mesmo tempo, amplie pontes com o centro. A participação de Michelle, que ganhou projeção nacional ao assumir o PL Mulher, é vista como fundamental para atrair o eleitorado feminino e setores evangélicos. Já Nikolas, com forte presença nas redes sociais, é considerado peça-chave para engajar o público jovem.
Apesar das divergências recentes, Valdemar reiterou que todas as lideranças do PL estarão na mesma campanha. “Somos um partido de quase cem deputados federais, oito senadores e milhares de vereadores. Divergências acontecem, mas o projeto é maior que as diferenças pessoais”, concluiu.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
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