O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que pretende enviar equipes da Polícia Federal aos Estados Unidos, com autorização do governo norte-americano, para capturar brasileiros envolvidos com o crime organizado que estejam em território norte-americano.
“Eu não quero recebê-los, eu quero prendê-los”, afirmou o chefe do Executivo durante entrevista coletiva concedida neste domingo (22), em Nova Déli, na Índia. Lula está na capital indiana para participar de uma cúpula sobre inteligência artificial e cumpre agenda de visita de Estado a convite do primeiro-ministro Narendra Modi.
Segundo o presidente, a operação dependerá da liberação formal de Washington. A ideia é que agentes da PF atuem diretamente nos Estados Unidos para localizar e deter cidadãos brasileiros procurados pela Justiça, evitando que retornem ao país em condição de foragidos.
A iniciativa é motivada, em parte, pela recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, sob a justificativa de combate ao narcotráfico e às redes de crime organizado. O episódio reforçou em Brasília a avaliação de que ações transnacionais contra organizações criminosas podem ganhar força nos próximos meses.
A invasão ao território venezuelano provocou apreensão no Palácio do Planalto. O receio é de que novos movimentos militares norte-americanos na região provoquem instabilidade política na América Latina, com possíveis reflexos diretos sobre a segurança interna brasileira.
Lula destacou que a cooperação com o governo dos Estados Unidos é fundamental para impedir a expansão de facções brasileiras no exterior. “Se houver anuência deles, a Polícia Federal agirá lá”, explicou. Ele não detalhou prazos nem a quantidade de policiais que poderiam ser enviados, mas reiterou que a prioridade é capturar indivíduos já identificados pela Justiça brasileira.
Durante a coletiva, o presidente também foi questionado sobre eventuais medidas adicionais de segurança nas fronteiras do Brasil diante do cenário venezuelano. Lula limitou-se a dizer que o Ministério da Justiça acompanha a situação e que qualquer ação preventiva dependerá da evolução do quadro no país vizinho.
Não há, até o momento, confirmação oficial da Casa Branca sobre o pedido brasileiro. A expectativa do governo é dar início às tratativas diplomáticas logo após o término da viagem à Índia, envolvendo Itamaraty, Departamento de Justiça dos EUA e autoridades de segurança dos dois países.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de No Centro do Poder
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