São Paulo – O apresentador de rádio e televisão Emílio Surita questionou, durante edição recente de seu programa, a decisão do governo federal de elevar a alíquota de importação de mais de mil itens. “Enquanto você estava dançando no Carnaval, meteram imposto em 1.000 produtos”, disse Surita, referindo-se à divulgação da medida em pleno período de folia.
A fala ganhou repercussão nas redes sociais e serviu de combustível para críticas à política econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicações que circulam desde o fim do feriado, usuários apontam preocupação com o impacto da nova tributação sobre o preço de bens de consumo e produtos tecnológicos.
A portaria que atualizou a tabela de tarifas, publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, revisa as alíquotas de importação de itens que vão de componentes eletrônicos a eletrodomésticos. Segundo a pasta, o ajuste se enquadra na estratégia de política industrial voltada à “proteção da produção nacional” e à “análise de competitividade”.
Entre os defensores do aumento, o argumento é de que a elevação temporária das tarifas pode estimular a fabricação local, gerar empregos e equilibrar a balança comercial em setores considerados vulneráveis à concorrência externa. O governo não divulgou prazo para nova revisão das alíquotas.
Entidades empresariais ligadas ao varejo e à tecnologia, porém, alegam que a medida tende a encarecer produtos finais, reduzir a oferta de novidades no mercado interno e pressionar a inflação. Economistas críticos à iniciativa lembram que, em momentos de retomada econômica, repasses de custos costumam ser mais rápidos ao consumidor.
O debate sobre carga tributária e transparência se intensificou após a observação de Surita de que a publicação ocorreu durante o Carnaval, período em que o acompanhamento de atos oficiais costuma ser menor. Parlamentares da oposição pediram explicações adicionais sobre os critérios técnicos usados para compor a lista de produtos afetados.
Em contraposição, integrantes da base governista afirmam que as discussões sobre a revisão tarifária começaram ainda em 2023, com consultas públicas e diálogo com setores produtivos. De acordo com esses parlamentares, a divulgação no feriado seguiu o cronograma administrativo previsto e não teve objetivo de evitar escrutínio.
Na arena digital, vídeos com o trecho do programa de Surita somam milhares de visualizações. Hashtags relacionadas ao tema ficaram entre os assuntos mais comentados, refletindo a crescente preocupação de consumidores e empresários com o impacto dos tributos sobre itens importados.
Até o momento, o Palácio do Planalto não comentou diretamente as declarações de Surita. O Ministério do Desenvolvimento reiterou, em nota, que continuará avaliando a necessidade de ajustes pontuais nas tarifas de importação “em consonância com os objetivos de competitividade e desenvolvimento industrial do país”.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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