Brasília — O Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda passaram a reexaminar o aumento da alíquota de importação de produtos eletrônicos e da linha branca após críticas massivas nas redes sociais, motivadas por um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A medida em questão, publicada no Diário Oficial da União em fevereiro de 2026, elevou de 10% para até 20% os tributos cobrados sobre celulares, notebooks, tablets, smartwatches e outros itens importados. A alteração foi feita no âmbito do regime de ex-tarifário e tinha como justificativa proteger a indústria nacional.
Em gravação divulgada na última semana, Nikolas Ferreira acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “aumentar impostos enquanto a população sofre com inflação e desemprego”. O conteúdo recebeu milhões de visualizações e impulsionou comentários contrários à nova cobrança, gerando desgaste político para o Planalto.
Análise de impacto e possíveis saídas
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que técnicos da Fazenda avaliam três alternativas:
- revogação total da majoração;
- redução seletiva da alíquota para itens de maior consumo popular;
- adiamento da entrada em vigor das novas alíquotas.
O governo também analisa o impacto fiscal de uma eventual revisão e consulta representantes do setor industrial, que defendem a manutenção da tarifa como forma de preservar empregos e investimento local. Já entidades de comércio eletrônico apontam que a elevação dos custos de importação pressiona o preço final ao consumidor e reduz a competitividade do mercado.
Pressão nas redes e repercussão política
Desde a publicação do vídeo, perfis no X (antigo Twitter), Instagram e TikTok somam milhares de menções à hashtag #ImpostoDoCelular, com críticas à política tributária e comparações a incentivos dados a outros segmentos da economia. Parlamentares da oposição passaram a citar o tema em discursos no Congresso, pedindo a imediata revogação da portaria.
Auxiliares do Planalto admitem que a narrativa de “imposto sobre o pobre” tem causado desgaste, principalmente porque celulares e notebooks são considerados bens de uso cotidiano. A avaliação interna é de que a polêmica se soma a um ambiente já pressionado pela percepção de carga tributária elevada.
A decisão final deverá ser tomada nas próximas semanas, após concluída a análise de impacto fiscal. Enquanto isso, importadores e varejistas acompanham o debate com cautela, temendo oscilações no custo dos produtos antes do período de grande demanda do segundo semestre.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google News
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